24.11.05

?

ilustração de saelee oh

que diabo faz com que o meu blogue não esteja visível na casa de muita gente? farto-me de receber queixas de malta que não consegue aceder à página. estarei a ser boicotado por algum hacker sem melhor coisa para fazer? ó santo deus, a quanto me sujeitais

23.11.05

poema da vontade de voltar para casa

o indivíduo chegou-se discretamente e manifestou quase nada a sua inquietação. depois, quando todos demos por ele, começou a falar, devagar primeiro, de seguida mais depressa. depois, quando nos começámos a cansar, gritou, de seguida espumava pela boca quando nos queríamos afastar. depois, quando nos apavorámos e tentámos fugir, desatou à machadada e arrancou-nos os braços, as pernas, a voz, o caminho para casa. guardou tudo numa caixa e o que restou de nós não permite que nos recenheçam. certamente a senhora da limpeza mal nos verá. vai varrer-nos entre as coriscas e aviar-nos para o lixo para sempre

13.11.05

poema do bichinho surpreendente

havia um bichinho muito pequenino que ficava sempre muuuuuuuito quieto no seu canto. os outros, maiores e ferozes, achavam que ele dificilmente se revoltaria. mas um dia, farto de ser incompreendido, o bichinho abriu a boca o mais que pôde e, para espanto de todos, tinha uns dentes de ferro afiados que, à mínima dentada, laminavam o adversário. ui, aquilo foi uma chacina. mas nem por isso o bichinho se sentiu melhor

com o antony, no coliseu dos recreios, 31 de outubro

10.11.05

laranjeira no auditório amanhã

amanhã, a partir das 21 e 20h, o francisco laranjeira abre uma nova exposição no auditório municipal de vila do conde. haverá festa animada com leituras do isaque ferreira e da nana menezes, música do futuro com a anadeus, o quico serrano e o paulo praça, seguindo-se um magusto de convivio extravagante no encanasbar.
sobre a exposição - que afinal é o que importa - poderá ser a melhor do laranjeira que se afirma, sem dúvida, como um dos mais interessantes pintores da nova vaga no nosso país. coisa vivas e cromáticamente deglutivas, coisas que nos adentram, a não perder de modo algum. vejo-vos lá

3.11.05

o cão mais triste do mundo - renato roque


o fotógrafo renato roque, que muito admiro, captou o cão mais triste do mundo, visto um pouco a partir do romance que escrevi chamado «o nosso reino». um cão belo, como no livro, feito de fuga e dor, mas belo. obrigado renato

2.11.05

jarboe - casa das artes, hoje hoje hoje

este é o mark eitzel na casa das artes

a não perder. para quem pode:
voz: jarboe
baixo e violino: paz lenchantin
baterias: phil petrocelli e mike rollins
guitarras: nic le ban
2 novembro quarta 21.30 grande auditório da casa das artes de vila nova de famalicão
entrada: 8 euros (preço único)

27.10.05

mar das caxinas


um destes dias vi isto com o telemóvel. na verdade, a imagem real estava a preto e branco, mas o telemóvel, de tão habituado, viu azul por todo o lado. e eu juro-vos, a imagem real não tinha o côr; foi o mar mais impressionante que vi em toda a vida

8.10.05

montra


com a isabel lhano e o isaque ferreira jantando na montra do restaurante gira-pratos no porto

2.10.05

paulo damião


«amnft-w», de paulo damião

o excelente pintor paulo damião está de novo patente na galeria arte periférica, no ccb. uma visita que se impõe. não percam

abrir o azul do céu

com garras magoando. deixando marcas pelas nuvens. magoando até morrer

29.9.05

quem me viu

quem me viu no arco da luz, naquele imenso colorido que o céu desenha, julgou-me o ouro ascendendo enfim leve. mas o arco não me sustentou, foi o tão grande amor que me fez, de verdade, pairar, e a chuva secou

25.9.05

parabéns


«free search», de luís melo


faço trinta e quatro anos agora. sim, agora, pouco depois das sete da manhã deste dia vinte e cinco de setembro. estou um homem grande

22.9.05

diamanda galás

ia jurar que, semicerrando os olhos, se podia ver fumo negro saindo da sua boca. um fumo rápido, atarefado com dispersar-se por toda a sala. parecia que nos imergia nos seus misteriosos ofícios. com o tempo, tudo pode acontecer a quem lá esteve

12.9.05

setembro

nunca fui feliz em setembro. há qualquer coisa no fim do verão que me faz mal. o sol que se atenua, a humidade roendo os ossos, o envelhecimento. no fim deste mês faço anos. sempre fiz anos como quem realmente envelhece. as festas, poucas, serviram apenas para sonhar com ser outra pessoa. no ano passado devo ter sido feliz, não à medida da festa que dei, mas à medida de uma excepção. setembro de 2004 não me trouxe uma má surpresa como o de 2003. sim, por justiça penso agora que em setembro de 2004 eu fui feliz e que naquela festa de anos talvez tivesse tudo, sem saber.
para não divagar, prendo-me a isto: «lookaftering» da vashti bunyan, «cripple crow» do devendra banhart, «noah's ark» (com o antony na melhor música) das cocorosie, «floor show» dos baxter dury, «kosi comes around» do dj koze, «takk» dos sigur ros e «lucky dog recordings» do stuart - tindersticks - staples.
poucos posts, muito trabalho, obrigado pelas palavras amigas. desculpem a pouca atenção. setembro não ajuda

6.9.05

dual

no caminho, um animal selvagem parecia, mesmo olhando segunda vez, uma pessoa amiga

1.8.05

às três da manhã

sei que esta noite, dentro de poucos minutos, exactamente às três da manhã, algo vai acontecer. e se for explicável, pergunto, e se for passível de uma explicação. seria perfeito

27.7.05

trip na arcada


«purissima», de francisco rodriguez maruca

gostava de vos aconselhar vivamente uma visita aos domínios de puríssima subversão criados pelo meu amigo antónio pedro ribeiro. preocupado com fazer do quotidiano outra coisa, mandando vir a miúde contra tudo e contra todos, o blogue dele é uma viagem a doer, cheia de momentos de contemplação únicos. chama-se trip na arcada. curtam-no

22.7.05

tenho uma t-shirt com um verso do ruy belo


«the evolution of superstition», do todd schorr

adorava ser vegetariano. tenho pena de todos os animais (excepto dos gatos e dos escorpiões), gostava de imaginá-los livres como se pudessem evoluir rapidamente e adquirir postura vertical no pouco tempo da minha vida. seria bonito habitar um mundo onde os gnus discutissem na faculdade de letras, com os caranguejos e meia dúzia de humanos, a métrica dos belos versos do ruy belo

19.7.05

as vozes que mais amo podem dividir-se assim


«insomniac», de maya kulenovic

vozes para o coro de deus
amália rodrigues
antony
caetano veloso
chan marshall
chet baker
elizabeth frazer
ella fitzgerald
joão gilberto
johnny hartman
kathleen ferrier
lioudmila khandi
lisa gerrard
nico
nina simone
tony bennett
vashti bunyan


«horse», de slowinski

vozes para o coro de lúcifer
adolfo luxúria canibal
aurora vargas
baby dee
billie holiday
b’heirth
black francis
david bowie
diamanda galas
iggy pop
leonnard cohen
louis armstrong
maria callas
médèric collignon
patty waters
peter murphy
thom yorke