8.7.05

arte na capa de bons discos - 6



«surfer rosa», dos pixies, com arte de vaughan oliver sobre fotografia de simon larbalestier

arte na capa de bons discos - 5



«soft black stars», dos current 93, com arte de david tibet

7.7.05

limpeza de ecrã

o anton kovas, do the healing sound of music, enviou-me esta ligação perfeita. método raro de limpar o ecrã. imperdível. aceito impressões nos comentários. excedam-se, deixem-se levar pelo amor aos bichos e contem coisas

caril de gambas e outros luxos


«her prison 1», fotografia de caryn drexl


«pinocchio dance», fotografia de fredrik ödman

sei bem que nem todas as pessoas do mundo podem ser amigas da ângela patriarca (dinamizadora cultural de festas de aniversário às sete da manhã e bela esposa do magnífico compositor eduardo luís patriarca), mas, se houver acaso de algum de vocês o ser, peçam-lhe de joelhos o convite para um jantar de caril de gambas em sua casa. é de chorar por muito mais. asseguro-vos, façam o que puderem, usem todo o vosso charme e dinheiro, vale mesmo a pena.

se resistirem à beleza da gula e ainda precisarem de mais contemplação, podem visitar as páginas da caryn drexl e do fredrik ödman, que conheci por sugestão certeira do sérgio (de quem falei abaixo a propósito da rascunho e de pedintes). gente doida, estes fotógrafos, e forte. coisa para ser vista à vontade de manhã, com meio metro de distância à tarde, e em pesadelos à noite, com toda a certeza

6.7.05

arte na capa de bons discos - 4



«goo», dos sonic youth, com arte de raymond pettibon

arte na capa de bons discos - 3



«niño rojo», de devendra banhart, com arte do próprio

arte na capa de bons discos - 2



«akron / family», dos akron / family, com arte de albertus seba

arte na capa de bons discos - 1



«magic wand», dos little wings, com arte de kyle field, o mentor da banda

4.7.05

rascunho


«balance», de jason d'aquino



já há tempos tinha decidido falar aqui da rascunho, mas passou-me. um comentário no post anterior tornou a coisa para hoje mesmo.
a rascunho é uma página - não blogue - onde um grupo de comentadores vão cobrindo um pouco do quanto culturalmente acontece. o meu amigo sérgio miranda - outrora nas ruas da amargura, urinando pelos caminhos escuros - faz parte do rol de apreciadores e merece vistas, que é como quem diz, leituras feitas assiduamente. destaque para a componente musical onde a malta, que deve ser toda muito jovem, se esmera grandemente.
entretanto, é impossível ser-se vilacondense sem se falar no décimo terceiro festival de curtas metragens a decorrer no nosso lindo auditório, onde ontem à noite já vi o excelente «the wayward cloud» do realizador, de taiwan, tsai ming-liang. imaginem o kama-surta com melancia, já poderão imaginar como é este filme. façam o favor de vir a vila do conde nestes dias. perguntem-me como se cá chega, se não souberem como

novos blogues - publicidade


«bug and bird», de james riches

três novos blogues de três amigos merecem saudação. o início da vida virtual do anton kovas, do tiago anaiço e do fiodor traz à blogosfera três propostas distintas:
o anton é um rapaz das músicas electrónicas, conheço-o desde mil e oitocentos. no the healing sound of music vocês podem encontrar informação com rigor sobre a vanguarda sempre galopante da música. o anton, confesso, foi quem me falou primeiro do akira rabelais - que amo de paixão - e do arve henriksen - que amo de paixão. é rapazinho para trinta anos, está solteiro, e recebe às quartas e às quintas moçoilas simpáticas com problemas de ouvidos. façam o favor de conferir e usufruir.
o tiago é um rapaz das palavras, conheço-o há mito pouco tempo que quase só o conheço no futuro, e interessam-lhe as coisas escritas com alguma surpresa e narratividade. o brlogue abriu e aceita todo o tipo de cliques como palavra passe. o tiago é um rapazinho para vinte e cinco anos, comprometido, de modo que as moçoilas com problemas de escrita ou continuam a investir em mim, ou nada feito.
o fiodor está anónimo. chama ténues fronteiras ao seu blogue e sei que o escreve em trás-os-montes, já quase em espanha. por isso, anda por bragança e fala espanhol muitas vezes. ó, é um rapaz novo e com vigor, à procura de luz nos sovacos das raparigas. muito feliz em ser das terras altas, encontrando poemas no revirar das pedras, como quem os faz brotar da terra. fez o favor de dizer bem de mim, desculpem se parece uma troca de galhardetes, é só um piropo de amizade e o anúncio da expectativa de mais um bom blogue para a festa.
beijinhos às famílias, obrigado pela atenção

está muito vento na praia, hoje, mas queria tanto ficar moreno


desenho com recorte de saelee oh

quando criei o meu primeiro blogue fi-lo com a intenção de abrir um espaço de encontro com amigos e desconhecidos que, por empatia com aquilo que pudesse escrever / mostrar, se aproximassem. o meu blogue é apenas um dos elementos dessa máquina maior e tendencialmente infinita que junta com cliques quantos se querem juntar. eu junto-me a muitos, e agradeço a todos os que voltam por mim. o mais que faço é exercer o prazer de mostrar coisas de que gosto. porque do que se gosta, parece-me, fala-se pouco nos media institucionais. é mais fácil - e oferece maior protagonismo - ficar do lado do contra a infernizar a vida das pessoas com aquilo que manifestamente se desaconselha.
por isso hoje já vos posso dizer - com três anos de experiência de blogue - que vale a pena. muita gente que agora faz parte do meu melhor quotidiano chegou por um clique feliz na teia das coincidências. é com muito prazer que a minha casa de osso se mantém, como radar para gente porreira, disponível à escuta.
denise e graça, e tiago e todos mais, muito obrigado, e digam sempre coisas. gosto mesmo de vos ouvir.
lebre, vou ver o photo bucket. deus queira que funcione com o meu pc temperamental.

fui ver o trabalho de saelee oh ao seu site. gostei particularmente deste desenho. os recortes que faz são interessantes, mas em matéria de recortes só o luís mendonça, do porto, para traçar os mais ínfimos cabelos na cabeça das suas muitas personagens.

em bragança vi uma exposição do a. pizarro. fui à discoteca mercado ouvir a mtv em altos berros, e dei um salto a sanabria, a ver como os espanhóis ali são muito brancos e não desconfiam dos portugueses que bebem água passeando de boxers na praia do lago. dormi sem lençóis de calor bruto. tomei café no biblioteca. espreitei um concurso de bandas no espaço recuperado pelo polis. soube que a moda dos rapazes ali é vestirem as meias de ténis por cima das calças de ganga. no shopping novo da cidade comi uma fatia de pizza com molho de iogurte, e achei horrível

1.7.05

poema de josé rui teixeira

A magnólia floriu este inverno
e eu não sei como dizer-te
que me comove ainda que dê flor.


do livro «melopeia», edições cosmorama

30.6.05

cosmorama


de matthias herrmann

às 17.30h, hoje, na livraria lello, no porto, apresento os livros «melopeia», do josé rui teixeira, e «o tempo mais puro», da isabel coelho dos santos.

para dizer que sim aos espanhóis, hoje escolhi uma fotografia do matthias herrmann, louco e genial.

infelizmente não consigo usar o hello que me punha fotografias no blogue retiradas directamente dos meus ficheiros. queria publicar uma de um pedinte que se aliviava na rua às oito da manhã, mas não tenho como. descarrego o programa mas, por algum delicado motivo, não opera, raios o partam

27.6.05

cinco canções para apaziguar corações com raiva


carla gonçalves, «atacados pela raiva»

uma.velvet underground «candy says»
duas.pop dell'arte «o amor é um gajo estranho»
três.caetano veloso «samba e amor»
quatro.radiohead «you and whose army»
cinco.sylvia telles «amor em paz»

torre de moncorvo



um calor incrível não impede que os transmontanos subam a compôr telhados. as pessoas passam muito carregadas nas ruas, olham para mim desconfiadas do meu olhar turístico. pensam, talvez, que difícil é alguém lembrar-se de ir por ali, e de onde viria eu. um senhor, tendo-lhe perguntado onde ficava a biblioteca, achou que eu seria inglês. devo ter falado rápido de mais, tinha sede, suava como burro, e nas mãos colavam-se umas amêndoas com açucar com que me deliciei à bruta

25.6.05

o menino dança



a isabel fotografou com o o seu telemóvel o momento em que o adolfo me ensinou a dançar valsa

.



eduardo, só para te dizer que deus anda à tua procura, e eu sei que um dia te vai encontrar, porque tu mereces

24.6.05

filipa sufragista


da linda joana rêgo, «in a box (dream)», acrílico sobre tela de linho -100x100cm - 2004

alguma entidade conspira contra nós. não te consigo responder aos emails. qualquer coisa que te envie, é devolvida em minutos, como censura nos dias de hoje. obrigado pela tua delicada simpatia, obrigado pela amizade e, por favor, se me vires passar outra vez, na feira a caminho dos fura dels baus ou em outro lugar, grita ou agarra-me, diz-me qualquer coisa, teria muito gosto. entretanto, e como está calor e não há sol, os turistas vieram a vila do conde passear de carro. está a cidade cheia de gente sem vontade de estacionar. e tu onde vives. és da feira, pergunto. na feira também vi o projecto desenvolvido pelos von magnet, que adoro.
entretanto, olá eduardo pires. seu espertinho, tira a mão daí, que é feio

20.6.05

compilação mágica para convocar o amor

um.arve henriksen – opening image
dois.animal collective + vashti bunyan – prospect hummer
três.antony and the johnsons – hope there’s someone
quatro.isobel campbell – amorino
cinco.xiu xiu – sad pony guerrilla girl
seis.cat power – evolution
sete.devendra banhart – autumn’s child
oito.in gowan ring – two wax dolls
nove.baby dee – when i get home
dez.current 93 – soft black stars
onze.patty waters – hush little baby with ba ha bad
doze.coil – an emergency
treze.this mortal coil (com elizabeth frazer) – song to the siren
quatorze.dead can dance – frontier
quinze.alpha – sometime later
dezasseis.cocorosie + antony – beautiful boyz

mensagem ao dia feliz

imagina que deus te fez para mim. como se a maravilha que vivo fosse só a consequência da sua vontade. imagina que tudo será perfeito, mesmo que, tão precipitadamente, entendamos ter encontrado o que não existe

18.6.05

graça martins


graça martins, «par délicatesse j'ai perdu ma vie, rimbaud», acrílico s/tela,60x80cm, 2002


graça martins, «pijamas», grafite s/papel, 43,5x61cm, 1991

a graça martins é uma amiga muito querida conhecida pelo seu trabalho plástico assíduo e ligado privilegiadamente ao universo da literatura. são várias as ilustrações que fez para livros, os retratos de escritores que criou, bem como as homenagens que prestou a outros, como rimbaud ou oscar wilde. o seu estilo tem muito de gráfico, mantendo sempre presente uma delicadeza sensível, conseguida por um cromatismo rico, mas também pelo recurso a um traço fino no encalço do desenho ao mesmo tempo terno e belo. as personagens de graça martins parecem, as mais das vezes, contornos de filigrana, e as cores servem sobretudo para os cenários florais sugerindo estética e aromaticamente o prazer de pintar.
mostro-vos a homenagem a rimbaud, que amo, ao rimbaud e à homenagem da graça, onde a artista usa a técnica da colagem e, reparem bem por favor, constrói umas impressionantes folhas, perfeitas como naturezas vivas velando a alma do poeta. mostro-vos um desenho de uma série de meninas vestidas de pijama, onde se revela, com mestria, a destreza do traço da graça martins, resultando numa figuração rara ao alcance de poucos artistas.
a graça tem uma nova página, bom pretexto para vos falar dela aqui e vos propor a visita. e depois procurem os livros que ela ilustrou. uma dica, há por lá coisas da isabel de sá, poeta (e artista plástica) que vos obrigaria a ler se mandasse no mundo

17.6.05

rrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrr

e o menino naquele dia, farto de esperar, disse, quero namorar, quero namorar. mas porque raio não aparece um amor na minha vida, perguntou ao povo atento e curioso, e ficou à espera que alguém se pronunciasse

aviz



o aviz está a fazer dois anos. parabéns ao francisco josé viegas, um escritor de excepção e um generoso entusiasta da literatura

16.6.05

francisco laranjeira


francisco laranjeira, sem título, 2004, acrílico sobre tela, 97x130cm


francisco laranjeira, sem título, 2004, acrílico sobre tela, 50x35cm


o francisco laranjeira é um artista vilacondense marcado pela riqueza cromática e por uma rara capacidade de encontrar harmonia no caos. as suas telas são sobretudo essa experiência de equilíbrio entre milhares de elementos, como se equilibrasse uma informação tendencialmente infinita, mantendo a sobreposição típica da concorrência dos elementos, mas fazendo, ao mesmo tempo, apelo a um espectro cromático que nos sugere a ordem puramente estética.
mostro-vos aqui duas telas recentes que, ambas sem título, distingo por azul (2004) e vermelha (2005). não são de todo as telas mais características do pintor, porque me parecem mais orgânicas do que as precedentes, recriando ambientes naturais que se distinguem dos emaranhados mais geométricos a que estávamos habituados.
a tela azul, talvez a minha preferida de todo o trabalho do francisco, sugere-me azulejos de parede já sujeitos ao jardim, digo assim porque me parece um painel atacado de musgos, com verdes a intervirem – como se da idade se tratasse – sobre a obra. na tela vermelha a referência a uma certa ideia de paisagem, com pôr-do-sol, é criada através de formas primárias, marcando lugar entre o que poderia ser uma arte europeia de influência africana.
há uma página onde podem – e devem – entrar para aprenderem tudo sobre este artista (não só pintor) que no outono terá nova exposição no auditório municipal desta cidade à beira mar plantada. apontem na vossa agenda e venham ver isto em grande, como grande é

13.6.05

carla gonçalves


«o jardim das delícias», de carla gonçalves

a minha amiga carla gonçalves, que muito admiro enquanto pessoa e pintora, acaba de chegar ao mundo virtual com a inauguração da sua página belíssimamente simples. foi criada - mais uma vez o elogio - pelo mestre rui monteiro, criador da minha própria página.
é uma oportunidade para todos conhecermos melhor o trabalho da carla, feito de cortes e surpreendentes aparições na tela de «gente» nunca vista. gosto do seu imaginário desbastado, criado para a imprecisão. aconselho vivamente a visita e a sondagem para a compra dos seus trabalhos que, neste momento, são ainda acessíveis às bolsas de quantos queiram possuir uma obra de arte que, no futuro, estou certo, se valorizará grandemente

12.6.05


na casa das artes de famalicão, eu e o antony Posted by Hello

não se vê muito bem, mas foi o que deu para fazer com o telemóvel já nada terceira geração nem particularmente artístico. isto para vou mostrar a minha carinha de apaixonado e para vos dizer que o antony canta «beautiful boyz» (com z), no novo «noah's ark» das cocorosie, a sair a treze de setembro. o álbum é excepcional, à medida das duas irmãs mais bonitas da música actual, e o tema com o antony - não sou tendencioso, é a mais pura verdade - é o mais bonito. aliás, talvez se lembrem da canção, foi cantada pelas cocorosie e pelo antony na visita que nos fizeram no ano passado (duas noites no porto, uma noite em lisboa).

11.6.05

in gowan ring


b'eirth, auto-retrato, feito em 2001 em montesinho, portugal

o concerto dos a hawk and a hacksaw foi muito bom, ontem, no meu mercedes é maior do que o teu. para umas trinta pessoas mais atentas, a vinda de jeremy barnes ao porto foi mais um dos momentos imperdíveis daquela pequena catedral da música contemporânea.
mas hoje ouço o projecto in gowan ring. amo de paixão o trabalho de b'eirth, que até já andou longamente por portugal. uma música ritual cheia de espírito, como convocação plena dos deuses. regressamos a um tempo de coisas aladas, de céus carregados de cores, vozes de afinação infinita para honrar a dádiva da condição humana. b'eirth, casa comigo, por favor

10.6.05

a hawk and a hacksaw

tocam esta noite no meu mercedes. a não perder este senhor, também dos lindos neutral milk hotel

8.6.05

velha a branca


esta noite vamos ouvir o joão rios na velha a branca, em braga. aproveito para colocar uma fotografia que fiz, com o telemóvel, à isabel lhano naquela cooperativa há uns meses atrás quando ela própria foi a convidada da noite Posted by Hello

7.6.05

respondo ao repto do ricardo:
um. total music volume in my computer:
cerca de 300 albuns. ainda nada comparado com a minha colecção de mais de 2000 cds originais. é um vício, admito.
dois. the last cd i bought:
dois ao mesmo tempo: niobe «voodooluba», e nathan michel «the beast»; ambos edição sonig.
três. song playing right now:
in gowan ring «the wanderer», ao vivo em sintra.
quatro. five songs i listen to a lot lately, or that mean a lot to me:
antony and the johnsons «hope there's someone»
bauhaus «she's in parties»
vashti bunyan «just another diamond day»
mederic collignon, sem título
jonathan bepler «compression prelude»
cinco. people to whom i'm passing the baton:

6.6.05

a vida e o regresso às coisas do sol

braga estava quente esta manhã. pena não ter tido tempo para passar na carbono. mas a conversa com o filipe castro e com o antónio alberto silva foi boa. o antónio juntou-se ao rol de cinco amigos que tenho e que conhecem os current 93. de cada vez que encontro alguém que sabe, com substância, quem são os os current, nem acredito. estou, neste aspecto, habituado a ficar sozinho no mundo.
a viagem ao funchal e a estadia em lisboa foram muito boas. diverti-me e gostei de ver as gentes. tenho sempre espaço para conhecer mais alguém.
andei pelas feiras do livro. prémio, este ano, vai para a do porto que, além de ser coberta e nos poupar ao calor, apresenta uma pequena mas bonita exposição de ilustrações. em lisboa destaco o pavilhão dos pequenos editores. não percebo porque não existe cá em cima. será que os pequenos editores são tão pequenos que os organizadores do porto não os conseguem ver, pergunto. são alguns dos meus favoritos: & etc., angelus novus, frenesi, edições mortas, black sun, entre outros.
ouço ininterruptamente o antony, desde que o vi ao vivo em famalicão no passado dia 30. devo visitá-lo em nova iorque num futuro próximo. estou a convencer-me de que vai acontecer

22.5.05

a morte. a morte santa


«spiritus sanctus», de daniel martin diaz

a morte do espírito

17.5.05

questionário

respondo ao questionário do momento a convite do meu amigo alexandre. (esta coisa anda em todo o lado, parece um vírus de contágio por amizade.)

não podendo sair do «fahrenheit 451», que livro quererias ser?
seria «a colher na boca» do herberto helder. não me custaria passar o dia a debitar aqueles poemas. na verdade, de vez em quando, pego no livro e leio-o em voz alta. se houvesse de participar no filme, fazendo esse papel, não precisava de muito ensaio.

já alguma vez ficaste apanhadinho por uma personagem de ficção?
os k do kafka são todos impressionantes. lembro-me de sonhar com vários (e com o gregor samsa) nos tempos em que li kafka em jeito de pão nosso de cada dia. um dia sonhei que o agrimensor do «castelo» falava comigo finalmente (eu seria k), e eu entenderia tudo o que me pedia e poderia concluir o longo romance. quando acordei não entendi se esqueci o que me disse, ou se sonhei apenas que me tinha dito sem de facto escutá-lo. fiquei triste. na inconsciência do sonho a felicidade era absoluta.

qual foi o último livro que compraste?
comprei a obra poética do luís miguel nava para oferecer ao poeta espanhol antonio gamoneda. falei longamente com o antonio sobre o nava, que ambos admiramos. ele tem vários livros do poeta português oferecidos pelo próprio, mas não vira ainda a edição da obra completa. o luís miguel nava é um dos meus poetas favoritos. não só o considero um dos três melhores poetas dos últimos trinta anos, como considero um dos mais poderosos da lírica portuguesa de sempre. pode fazer linha com pessoa, herberto, belo e daniel faria.

qual o último livro que leste?
li o novo da inês lourenço, «logros consentidos», numa edição belíssima da & etc. acompanho há muito o trabalho da inês – tive o prazer de editar a recolha da sua poesia nas quasi – e acho que ela acaba de publicar um dos seus melhores livros. estes «logros» são ainda mais distintos, no tom perspicaz e sem concessões que a autora sempre teve.

que livros estás a ler?
agora leio a peça de teatro do rui lage, «não há mais que nascer e morrer», com chancela das edições mortas; leio «no pino do verão», de paulo bateira, numa edição cosmorama, e «juxta crucem tecum stare», de manuel de freitas, numa edição da alexandria. são todos livros muito curtos, de modo que são as leituras do dia. peguei-lhes hoje um pouco à hora do almoço e devo retomá-los para terminar antes de dormir.

que livros (cinco) levarias para uma ilha deserta?
«a colher na boca», embora já quase não precise; «naked lunch», do william burroughs; «o castelo», do kafka»; «molloy», do beckett; «o retrato de dorian gray», do oscar wilde. por esta ordem. cada um destes livros é um tratado de estilo, marcando a extensão da escrita, a plasticidade das palavras, o quanto a humanidade se aumenta a partir da arte. concebo a arte um pouco a partir destes pilares; um espaço de invenção sem tréguas, ao mesmo tempo perto e longe da realidade. talvez, ao mesmo tempo, perto e longe da verdade.

a quem vais passar este testemunho (três pessoas) e porquê?
vou passar a três amigos com quem assino um outro blogue: o eduardo pitta, o joão paulo sousa e o jorge melícias.

perry blake e poesia em vila do conde


dvd do perfeito matthew barney

perry blake amanhã em famalicão.
na sexta e sábado, poesia em vila do conde:

dia 20
tarde
15,00 horas- abertura do encontro
15,45 horas- 1ª mesa traduzir/trair
frederico lourenço
pedro tamen
josé mário silva
moderador – josé carlos vasconcelos
16,30 horas- intervalo
16,45 horas- 4 poetas, 4 livros, leituras
josé luís peixoto
eduardo pitta
josé maria silva couto
valter hugo mãe
moderador – marta miranda

dia 21
manhã
10,30 horas – visita guiada a vila do conde – rotas d ‘escritas
tarde
14,30 horas - homenagem a papiniano carlos
com a presença de carlos pinto coelho
viale moutinho
emídio ribeiro
15,30 horas – um livro por traduzir
margarida vale de gato
josé mário silva
jorge fazenda lourenço
fernando echevarria
moderador – pedro mexia
16,45 horas – 4 poetas, 4 livros, leituras
rui reininho
maria do rosário pedreira
isabel sá
pedro mexia
moderador – valter hugo mãe
noite
21,30 – sarau de poesia – alfândega régia
sindicato da poesia

jonathan bepler

alguém tem música do jonathan bepler?

15.5.05

noite

à noite vêm a mim os bichos que não se mostram aos olhos. ficam a morder os meus braços lentamente, obrigando-me a morrer. só resisto por mérito do corpo, que trabalha sozinho quando já há muito desisti

13.5.05

porta

estou prestes a entrar em outro lugar. parece haver uma porta para qualquer lugar que me dirija. talvez em pouco tempo não seja visto daqui

10.5.05

compilação de olhos em bico


sem título, de oksana badrak

1. susumu yokota «love bird»
2. shugo tokumaru «funfair»
3. otomo yoshihide «preach»
4. nabukazu takemura «polymorphism»
5. tujiko noriko «mugen kyuukuo»
6. kodo «oki age»
7. ondekoza «sogaku»
8. so takahashi «made in usa»
9. kojima mayumi «amai koi»
10. nagisa ni te «piho»
11. sainkho namtchylak «naked spirit»
12. toru takemisu «kaidan»

8.5.05

.


«make», de aaron smith

não me voltarás a ver. no interior da casa fiz um silêncio que me venceu. a partir de hoje estarei no verso. não mais serei tangente

6.5.05

compilação para sexta-feira à noite

1. bauhaus «dark entries»
2. stooges «tv eye»
3. sonic youth «kool thing»
4. my bloody valentine «you made me realise»
5. babes in toyland «handsome and gretel»
6. butthole surfers «booze»
7. spaceman 3 «revolution»
8. young gods «longue route»
9. queens of the stone age «you think i ain't worth a dollar but i feel like a millionaire»
10. daisy chainsaw «be my friend»
11. the dilinger escape plan «panasonic youth»

adam janes


sem título, de adam janes

noite toda latiram, até que um cão maior chegou e os engoliu sem mastigar. o guarda espantou-se e não se voltou a ver. há quem diga que evaporou de desgosto ou simplesmente virou bicho e segue por aí assombrando os pesadelos das pessoas. ele amava aqueles cães, isso é certo

555


«men with long hair», de odd nerdrum

cantei no frio da noite, à espera que viesses dizer-me que os vizinhos não conseguiam dormir. à espera que me viesses dizer que também tu te mantinhas de olhos abertos sem parar de me ver

5.5.05

casa


«visitation», de robert & shana parkeharrison (incríveis)

tira-me daqui. leva-me a ver algo que não exista e não me devolvas. rouba-me com loucura e sem pensar em mais nada

4.5.05

compilação para uma primavera melhor


«elephant fish bird», de soamo

1. antony and the johnsons «hope there's someone»
2. isobell campbel «amorino»
3. arve henriksen «opening image»
4. leonard cohen «who by fire»
5. susanna & the magical orchestra «who am i»
6. otomo yoshihide «preach»
7. nobuzaku takemura «polymorphism»
8. david sylvian «blemish (remixed by akira rabelais)»
9. colleen «everyone alive wants answers»
10. cat power «revolution»
11. chet baker «my funny valentine»

maggie taylor


«cloud sisters», de maggie taylor

muito obrigado pela dica. esta senhora maggie taylor é uma pintora maravilhosa. adoro a sua imaginação delicada, o modo como reinventa as «histórias da carochinha» e nos coloca num mundo sempre enriquecido. obrigado mesmo pela dica. adorei. sugere (sugiram) mais

3.5.05

.


«homenagem a jody brookens» de luiz henrique vieira

deus disse, até morreres serás sempre infeliz, e eu fiquei à espera do depois

1.5.05

lorenzo mattoti


«nell'acqua», o meu preferido de lorenzo mattoti

29.4.05

coimbra, biedma, luís melo


«os bichos», de artur do cruzeiro seixas

coimbra:
a feira do livro está enorme e linda. (em promoções imperdíveis: alma azul e ariadne editora).
o jardim da sereia está em obras, milagre na certa.
abriu um bar atrás do tropical. não parece nada bem. o tropical, então, nem se fala.

estou a ler jaime gil de biedma. há uma tradução excelente de josé bento a ser desbaratada pela editora. vale a pena.

aviso já: dia doze na galeria são mamede (lisboa), abre a exposição «source book» de luís melo, meu amigo e pintor de espanto. entre as dezanove e as vinte e duas. estarei lá

26.4.05

jay ferranti


«great red», do maravilhoso jay ferranti

luís tobias


«a garagem», de luís tobias

o meu amigo luís tobias acaba de ver no ar a sua bela página pessoal. passem por lá para ver maravilhosas fotografias

25.4.05

fim de semana sem acção


«flight», da maravilhosa gwyneth scally


vi o pianista de jazz joão paulo ao vivo na casa das artes, absolutamente maravilhoso. interpretou uns tradicionais de cortar o fôlego. acho que ele transcende o piano. o pobre do objecto deve ficar para fumar um cigarro como depois de uma sessão de orgasmos consecutivos.
depois vi o kiko, jazz vocal made in oporto, muito charmoso e eficaz. só não foi melhor porque depois do joão paulo qualquer um resvala para trambolho a mais.
também vi a nina nastasia. suave e bonita. a fazer lembrar os sundays com os mazzy star. nada electrica, nada albiniana, só doçura e beleza (nos looks, está na onda da lisa gerrard. não acham?).
vim do cinema, «birth - o mistério», com a nicole kidman a fazer figuras de parva. a casa do filme pia, e não é pelos passarinhos

22.4.05

matt elliott



não se pode ser melhor do que matt elliott. apenas tão bom quanto

19.4.05

pedro guimarães e os tuxedomoon



o pedro guimarães é um fotógrafo meu amigo por quem me rendo cada vez mais. depois da aventura de passar um mês sozinho, de maço para cabaço, na china a fotografar uma certa intimidade urbana, volta para a sua braga e para os seus passeios de olho-visionário.
há dias, estivemos os dois a ver o concerto dos tuxedomoon na casa das artes de famalicão. e a imagem acima é o melhor que a noite teve

alice geirinhas


amo de paixão o trabalho da alice geirinhas. por causa dela aprendi a pôr imagens no meu blog

18.4.05

parabéns


loretta lux, uma das minhas fotógrafas preferidas

à minha irmã e minha sobrinha, que deus quis nascessem no mesmo dia, como se as pessoas bonitas tivessem um dia privilegiado para conhecerem o mundo

música pop papa preto

com casa e tudo, mas muito em baixo no que diz respeito a descobertas musicais. fico-me pelo pekka streng e sempre os meus obstinados amores por patty waters, arve henriksen, akira rabelais, antony, e passo pelos ouvidos coisas da ikue mori ou deathprod, sem paixões, apenas curiosidade.
o papa pop morreu, agora pop up um papa preto, por favor. proponho uma campanha séria para a eleição de um papa preto. o mundo branco precisa de um papa preto. o mundo preto merece um papa preto. deus é preto. deus faz preto. deus quer preto. preto, preto, preto (em voz colectiva de campanha). fumo branco para papa preto. pop up, já

15.4.05

antony and the johnsons em famalicão



já estão à venda os bilhetes para o concerto do colectivo andrógino antony and the johnsons no fim do mês de maio na casa das artes de famalicão.

amanhã inaugurações na miguel bombarda.

hoje plaza no indústria.

agora, fome, vou ao jantar de uma amiga. parabéns carla

14.4.05

a casa da música

linda e deslumbrante está pronta. precisa, ainda, da nossa ajuda, para que os senhores do dinheiro não nos lixem a história. vejam no defesa do interesse público

11.4.05

no regresso


«god unfinished», de connett

estou de regresso ao cubo da casa. não me lembro de mais nada, só de estar por aqui e sonhar com uma viagem que me tirasse a alma ao corpo, algo que me desembainhasse e me usasse para gerar ou matar, sem nome, sem nada

1.4.05

spellewauerynsherde

um papa negro, sim, um papa de origem africana, ou a igreja o cumpre ou a covardia continua. o preservativo seguirá enfiado naquelas mentalidades.
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parabéns rafael.
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vi o elvis presley na praia das caxinas. é verdade. está um bocado gordo e muito velho. mas era ele. já me tinham dito que ele estava vivo. os meus amigos todos já o tinham visto em lugares diversos. agora pude ver eu. e ele, coitado, já muito cansado, está farto de negar a sua identidade e até não se importa que o acusemos, como nos nossos blogues, por exemplo

29.3.05

rómulo pizzolante

se você vir esta mensagem, saiba que não consigo responder ao seu email porque repetidamente o meu envio é devolvido. não sei como lhe responder, espero que, por sorte, você passe por aqui

rómulo pizzolante

se você vir esta mensagem, saiba que não consigo responder ao seu email porque repetidamente o meu envio é devolvido. não sei como lhe responder, espero que, por sorte, você passe por aqui

28.3.05

Canções para os meus filhos mortos

de José Félix Duque, cosmorama edições

«Busco que neste jardim
tudo permaneça imaculado.»

21.3.05

mahler, ferrier, paris, nariz

custa a acreditar na perfeição de kathleen ferrier a cantar mahler. obrigado pedro, este disco é lindo de viver.
aos amigos da passada sexta-feira à noite, obrigado. foi de mais.
vou, pela primeira vez, ao salão do livro de paris. encantado com o convite, da gulbenkian através do professor eduardo prado coelho, estou ansioso por pôr as mãos nuns livros lindos e pesquisar quanto o tremendo salão tem para oferecer. volto sábado. voo apavorado, mais ainda com o vento que se está a levantar. rezem por mim.
nunca fico com o nariz frio a fazer-me confusão. nem pés. sou, geralmente, um rapaz quentinho, mas, por algum motivo, não sei se para rimar com a viagem de amanhã, ficou-me vermelho o nariz

15.3.05

março

no cimo da rua vi uma fogueira ateada. mas não era de se ver, era só de sentir, por isso niguém mais o percebeu nem ficou ali pelas horas que eu fiquei

8.3.05

nova página

o rui monteiro fez-me uma nova página pessoal linda. a ser vista no valterhugomae.com
se tiverem paciência, vão ver. o rui merece
o fausto bordalo dias é a banda sonora dos meus últimos tempos. «por este rio acima», nascente fora, céu a estalar, azul adentro. o fausto bordalo dias havia de ser meu amigo. eu inchava de orgulho
depois, no porto vale a pena ver o sol de inverno, a deixar as pedras douradas como se fossemos muito ricos