1.2.07

pub


o meu novo livro pode já ser comprado na livraria poetria (rua das oliveiras, 70 r/c, loja 54050-448 porto - que é a rua do auditório carlos alberto). outras livrarias parceiras da cosmorama podem ser descobertas no blogue da editora.

pub

prémio de poesia guilherme de faria - 2007

regulamento
1. no contexto do centenário do nascimento do poeta guilherme de faria a cosmorama edições institui anualmente o prémio de poesia guilherme de faria.
2. o prémio é atribuído na modalidade de poesia, visando estimular a criação poética e, em especial, o aparecimento de novos autores.
3. são admitidas a concurso exclusivamente obras inéditas em língua portuguesa, com o mínimo de 20 [vinte] páginas.
4. o prémio consiste na edição da obra premiada pela cosmorama edições.
5. as obras concorrentes deverão ser enviadas para prémio de poesia guilherme faria, rua nossa senhora da paz, 90 – 4470-804 maia, até ao dia 30 de junho de 2007.
6. para efeito de atribuição do prémio, será constituído um júri composto por três elementos a determinar.
7. o júri pode propor a não atribuição do prémio por falta de qualidade das obras concorrentes e não pode atribui-lo a mais do que uma obra.
8. os trabalhos concorrentes, de que deverão ser enviados 3 [três] exemplares; serão assinados com um pseudónimo e acompanhados de um envelope lacrado contendo a identificação do autor e os dados para contacto.
9. os exemplares dos trabalhos não premiados não serão devolvidos, sendo destruídos 30 [trinta] dias após o anúncio dos resultados.
10. os resultados serão publicados na comunicação social e disponibilizados no site da editora no dia 6 de outubro de 2007.

pub

saiu o primeiro número da revista obscena, um projecto editorial independente dedicado às artes performativas. coordenada por uma equipa de críticos (ver ficha técnica no fim do texto) a revista terá periodicidade mensal estando apenas disponível para download em pdf no site www.revistaobscena.com.
nas suas várias secções publicará notícias, reportagem, entrevistas, críticas, artigos de opinião, ensaio e fotografia, equilibrando temas da actualidade nacional e internacional a revista quer contribuir para a promoção do diálogo e da discussão sobre as várias disciplinas artísticas nas suas diferentes fases de trabalho, através de textos assinados por críticos, investigadores, jornalistas, programadores e criadores portugueses e estrangeiros que também reflictam acerca do contexto onde estas se inserem.
o primeiro número, correspondente ao mês de fevereiro, traz um dossier sobre a realidade cultural do irão, cruzando os olhares da coreógrafa alemã helena waldmann e do encenador iraniano amir reza koohestani, com os da crítica local kathy salmasi e da jornalista margarida silva lopes. aborda ainda o teatro do alemão thomas ostermeier, conversa com o encenador libanês rabih mroué e o antropólogo andré lepecki, e visita o pavillion noir, o novo centro coreográfico nacional em aix-en-provence, dirigido por angelin preljocaj. dá ainda espaço à dramaturga regina guimarães para falar sobre o sentido de ainda se fazer teatro no porto, e à crítica e investigadora búlgara kalina stefanova que pergunta se a crítica teatral pode ser pós-dramática. isto para além das colunas de opinião, críticas a espectáculos, livros e dvds, e a aposta no filme body rice, de hugo vieira da silva, num total de cem páginas e quase quarenta artigos.
nota: todas as informações consideradas relevantes devem ser remetidas para o e-mail obscena@revistaobscena.com até dia 08 de cada mês.
revista obscena
editor: tiago bartolomeu costa
editores associados: jorge louraço figueira, miguel-pedro quadrio e mónica guerreiro
colaboradores: bandeira, rui monteiro, josé luís neves e pedro manuel
design: tiago rodrigues
mais informações:
tiago bartolomeu costa (editor): mailto:tiago.bartolomeu@sapo.pt

31.1.07

o quê

em frança surge mais uma ideia brilhante, uma equipa de futebol gay. o quê, devem estar a perguntar. isso mesmo. imagino que devam escolher os jogadores pelo porte atlético, depois, devem pô-los a lamberem-se uns aos outros para darem provas de que são de facto o que dizem ser e depois, mas só depois, metem-nos no campo a correrem atrás da bola. há qualquer coisa aqui que me escapa. eu julgava que para jogar futebol, e em princípio jogar bem, não se perguntava exactamente ao desportista se dormia com o amigo ou com a amiga, mas ao que parece esta gente iluminada entende que o sexo pode e deve estar na base de todas as descriminações. se isto fosse feito por motivos folclóricos, muito bem, porque cada um lá se deve entreter com o que lhe aprouver, mas por desporto, a sério??? parece-me uma iniciativa verdadeiramente homofóbica, capaz de mostrar a homossexualidade como uma belezazinha digna de jardim zoológico. estou a ver os parisienses que gostam de futebol dizer: vamos ao jogo do paris foot gay, eles jogam tão bem, deve ser porque se lambem todos antes de entrarem no campo

30.1.07

estou com aquela gripe da moda de que se fala na televisão. febre acima dos 39 e muitos delírios, com os quais me vou entendendo com alguma piada. de sexta até hoje, e parece-me que com direito a extensão até amanhã, só caminha e mais nada. estou farto, sim, e estava há tanto sem ver emails e blogues e gente na rua, que tive de sair por meia hora. obrigado a quem aqui passa. mais tarde responderei ao que me houverem perguntado ou precise de agradecimento personalizado. cuidem-se, é que com gripe nem ficamos bonitos de sermos vistos nem nada (enfim, embora tenha emagrecido dois quilos, o que é sempre agradável)

26.1.07

não sei fazer aquelas ligações bonitas para os videos do youtube. mas tenho de vos pedir que vejam o absurdo do discurso de um tal (puta que pariu) josue yrion, pastor (puta que pariu), sobre a disney e o satanismo (puta que pariu). a minha opinião, que é só a opinião de um leigo, é a de que um discurso destes aponta para uma psicopatia aguda, capaz de ver no rabo de cavalo da barbie uma mensagem satânica enviada aos extraterrestres do desprezado plutão (puta que pariu). só me apetece dizer palavrões. desculpem, mas assim não dá mesmo

coisas para uma felicidade inteligente

«Michael Cashmore - The Snow Abides
The new mini-album from Michael Cashmore, with guests Antony and David Tibet.
We are delighted to announce the release of ‘The Snow Abides’, the new solo mini-album from Michael Cashmore. This release comprises five thematically linked songs: all vocals are sung by Antony, all song texts are written by David Tibet, and all music is composed and played by Michael Cashmore.
Available from www.jnanarecords.com
‘The Snow Abides’ is Michael’s most accomplished and poignant work to date, solo or otherwise.»

o michael cashmore tem sido fundamental no brilhantismo da carreira dos current 93, acompanhado pelo antony torna-se ainda mais deslumbrante
para agradecer a todos quantos ontem à noite transformaram a noite no teatro do campo alegre em algo de muito especial. muito obrigado. estou profundamente sensibilizado

25.1.07

esta manhã, dois pássaros vieram conversar no parapeito da minha janela. com o tempo, em silêncio, percebi sobre que discutiam. fiquei espantado. nunca pensei que no inverno pudessem vir acusar-me de voar menos. ser menos visto entre as nuvens. estar tão cá em baixo, com os pés pousados no chão. afugentei-os com uma mão no ar. prefiro ler o jornal e apreciar a margarida, as suas pernas longas, o modo bonito como se debruça na mesa do café para pousar o tabuleiro com o pequeno-almoço

23.1.07

pornografia erudita

um
chama-se pornografia erudita o meu novo livro de poesia. editado pela cosmorama, será colocado à venda na noite de quinta feira, a partir das 21.30h, no teatro do campo alegre no porto.

dois
na quinta feira à noite, a partir das 22h, realiza-se o espectáculo, com o mesmo nome de pornografia erudita, inserido no ciclo quintas de leitura. os bilhetes estão esgotados.


três
a circulação deste livro será algo complicada. a cosmorama está em remodelação do seu sistema de distribuição, pelo que não prefiguro uma distribuição nem rápida, nem abrangente. e isso está muito bem. quem quiser adquirir o livro poderá entrar em contacto com o editor e encomendá-lo via correio.

quatro
o espectáculo do campo alegre conta com a surpresa do lançamento do primeiro disco a solo do paulo praça (plaza). o primeiro single está escolhido e entregue às rádios para tocar a qualquer momento. chama-se a verdade e, como todo o disco, tem letra da minha autoria.

cinco
o josé rui teixeira, editor da cosmorama, tem tomates, que é como quem diz, tem ética. há coisas perante as quais não devemos recuar. era só o que faltava.
a cosmorama conta no seu catálogo com autores como jorge melícias, agustina bessa luís, miriam reyes, silvia chueire, antónio ramos rosa, carlos alberto braga, isabel coelho dos santos, hilde domin, rui amaral mendes, josé félix duque, etc..

seis
a fotografia da capa do livro é do nelson d'aires.
sete
as quintas de leitura agora têm um blogue: http://quintasdeleitura.blogspot.com/, administrado pelos grandes joão gesta e patrícia campos.

22.1.07

fiama hasse pais brandão

um dia, o jorge disse-me que poderíamos visitar a fiama quando fossemos a lisboa. fiquei ansioso pela oportunidade de estar com quem tanto admirava. aconteceu numa tarde em que chegámos para uma sobremesa bonita e ela estava muito bem disposta. foi quando nos cedeu o livro «fábulas» para primeira edição na quasi. explicou-nos porque tinha um pequeno quadro da paula rego, muito antigo, ali pousado no sofá. explicou-nos porque a fruta que se via no seu jardim era tão grande. disse que queria rever toda a sua obra e que estava com vontade de pôr mãos ao trabalho. poucas semanas depois a sua doença agravou-se e deixou de comunicar. lembro-me de ir vê-la ao hospital, num fim de tarde. o meu pai havia morrido pouco antes. saí de lá a chorar. senti uma familiaridade estranha com a fiama. pedi ao gastão que lhe desse um beijo meu e que lhe dissesse, num momento de lucidez, que ela era para mim muito importante. estava errado. ela não era, ela é. aquelas coisas que só nos aparecem nítidas quando as situações exigem que os nossos sentimentos se expliquem. durante este fim de semana, a fiama foi morrendo. hoje, renasce, porque os poetas são eternos e ela brilha
«O Presidente da República ama-nos
O primeiro-ministro sacrifica-se por nós
Sacrificai-vos vós também
E será vosso o Reino dos Céus»
A. Pedro Ribeiro

19.1.07

este é o dia de aniversário da minha mãe, a pessoa mais importante do mundo. o papa, por exemplo, à beira dela, não vale nada, é menos do que o cabelo de um rato zingão apanhado de surpresa pela vassoura da mulher da limpeza do restaurante ali da esquina. isto para que vocês, que não conhecem a minha mãe, terem a noção da importância que ela tem. e para se unirem a mim nestes parabéns a você que me enchem o coração de emoção
no mais triste dos poemas o poeta tem
de morrer por amor. assim me despeço
de ti, só de ti, de modo breve e definitivo,
permitindo que sobre mim cresçam ervas
e mais tarde se afundem as raizes das
árvores mais eternas. no mais triste dos
poemas teria de estar eu, terias tu de
faltar, para que o meu amor, e eu morrer
por ele, fosse só uma dor minha, uma
dor em vão, fugaz tolice para enternecer
o meu sempre abandonado coração

imagem de rui effe

18.1.07

não estou certo de nada. gostava, contudo,
de acreditar que existes, para te esperar sem
angústia, talvez pôr a música mais baixo, ouvir
os vizinhos a conversar, preparar coisas para te
dizer, ler um livro, vestir-me. gostava de ter
por ti um amor convencional, sem ter de o
imaginar. com um jantar pelo meio, um passeio
no mais popular do parque, a ver cisnes e a
fugir dos cavalos. mas não estou certo de nada, e
mais fácil é fechar as portadas, escolher um cobertor
quente e fazer com que vente mais e mais lá fora

imagem de rui effe

17.1.07

se te cansares de mim, não me peças que
chore. deixa-me secar lentamente como
pelo tempo, mais me custará, porque mais
lento verterei a alma para a morte. no entanto
dá-me esperança de que não partirás,
aguardo-te muito quieto, muito quieto
para não atrapalhar os teus planos como quem
não quer assustar a caça. mas sou a presa,
eu sei que sou a presa. e tu podes vir reclamar-me
o couro com toda a violência, já não me importo
imagem de rui effe

16.1.07

não te acusei de nada, talvez me tenhas
entendido mal. disse apenas que estou
de coração fechado para um amor eterno,
prefiro paixões intensas e passageiras que
me possam até matar de súbito, mesmo sem
querer. não sei por que razão fiquei
assim, sem medo, sem nada a perder.
espero que possas aceitar o que te digo e
investir tudo sem reservas, consciente de
que investes em algo que até pode perdurar
mas anseia cruelmente pelo efémero

imagem de rui effe

15.1.07

deixei sobre a mesa o dinheiro que
necessitas para o dia. espero que te
sirva para o almoço e para qualquer
coisa ao lanche. desculpa. amanhã, como
é domingo, venderei os pães na igreja,
quem sabe me dará deus valor suficiente

para manter o amor. se amanhã houver
mais dinheiro, mais um pouco que seja,
compro o teu prato, os teus talheres,
um copo onde te sirva a água simples.
volta cedo, peço-te, volta cedo, como
não sei nada sobre decisões divinas
quero só não perder-te em tempo
além do impossível. vem comigo ver
o que é feito dos gatos que deitamos ao
campo. achas que estarão gordos ou
terão morrido. eu acho que estão gordos,
se deus quiser

imagem do rui effe

14.1.07

acabei de notar que trazes um olhar novo
na descabida esperança de ficares para a noite,
mas não pode ser, prefiro que sigas pelo escuro
cerrado, que arrisques até a vida na passagem da
ponte, que arrisque eu não voltar a ver-te, porque
esta noite devo fazer nascer um coração nos pés
para os magoar. quero fazer nascer um coração
nos pés e aguardar quem venha frio e se queira deitar
comigo. quero suportar a morte na minha cama,
como quem a partir dela começa a amar

imagem do rui effe