21.2.07

os dias de um génio

zeca afonso


Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou
entrou aqui uma mulher a dizer-me que eu estava a fazer muito barulho. como dormia, perguntei se estava a referir-se ao facto de ressonar. disse-me que não. desconfiou de mim e disse-me que eu estaria a dançar, na certa. sou manifestamente tosco nas artes performativas, não me queira ver a dançar, disse-lhe eu. estava a dormir, insisti. mas, nada feito, a pobre queria bater-me, prometeu que voltaria com a vassoura na mão se eu voltasse a incomodá-la. sorri. perguntei-lhe se era a super-mulher. disse-me que talvez fosse. respondi-lhe que quando era miúdo eu adorava a super-mulher e que queria muito muito muito fazer-lhe filhos. é assim que se desmancha uma vizinha. em milésimos de segundos ponderou tudo numa outra perspectiva e suspirou. básica

amália rodrigues - gaivota

no dia 14 de março próximo, o depósito legal (colectivo de que faço parte, com isaque ferreira e joão tiago martins) apresenta na casa das artes de famalicão um evento dedicado à resistente edições mortas. contaremos com a presença de a. da silva o., antónio s. oliveira (....), a. pedro ribeiro, gilberto de lascariz, raúl dimões pinto e virgílio liquito. a moderação estará a cargo do isaque.
faço o repto a quem tiver alguma questão pertinente a colocar a algum dos convidados, para deixar a sua sugestão na caixa de mensagens deste post. a edições mortas simboliza uma atitude muito especial no espectáculo cada vez mais deprimente da edição em portugal. é inegável o seu papel combativo contra a pasmaceira mesmizadora que nos assola. para fazer justiça ao seu esforço, contamos com a vossa colaboração

20.2.07

baby dee
sob as estrelas negras, eu e o antony estivemos a ver cada vez menos o passado e a pensar que o futuro, assim como assim, haverá de se acender tarda nada. sorrimos. no escuro, sorrimos e percebemos que estavamos a sorrir. foi muito bonito. quando estiver em nova iorque, quero dizer, quando eu estiver em nova iorque e nunca mais voltar, a única coisa que terei de igual com aquilo que aqui vou deixar, será a noite mais densa, e sempre a vontade de só existir futuro
(fotografia de alice o'malley)

19.2.07

agora é a sério, dois

agora é a sério, um

para responder a quem me vai perguntando sobre onde se pode encontrar o meu novo livro à venda, aqui fica a lista das livrarias com que a cosmorama já está a trabalhar. são as chamadas livrarias parceiras. o meu livro estará já em todas elas, havendo a possibilidade, se não for o caso - por estar esgotado, nomeadamente - de se fazer pedido de encomenda. o livro pornografia erudita tem chancela das edições cosmorama e pode também ser adquirido com pedido directo para o editor. corram a ligação para chegar até ele.

livraria portugal, rua do carmo, 701200-094 lisboa - 213474982 - www.livrariaportugal.pt
livraria latina, rua de santa catarina,2, 4000-441 porto - 222001294
giralivro, avenida joão de deus ramos, centro comercial girassolum – 2º, loja 221, 3030-328 coimbra - 239721381
livraria 100ª página, casa rolão - av. central, 118/120, 4710-229 braga
poetria, rua das oliveiras, 70 r/c loja 5, 4050-448 porto
maria vai com as outras, rua do almada, 443, 4050-039 porto
papelaria central albicastrense, rua rei dom dinis, 5/7, 6000-272 castelo branco - 272 344 228
livraria esperança, rua ferreiros, 119, 9000-082 funchal - 291 221 348 - http://www.livraria-esperanca.pt
livraria pára e lê, de samuel alexandre dantas da silva, rua 31 de janeiro, 47 a, 4910-455 vila praia de âncora - 258 915 043 - www.livrariaparaele.com
livro do dia, de luís filipe cristóvão, av. general humberto delgado, 6a, 2560-272 torres vedras - 261 338 924 - www.livrododia.com.pt
na emissão de hoje da prova oral, o rui lage vai falar de poesia e da sua pertinência na vidinha tão aparentemente apoética dos nossos dias. bom tema. verifiquem por favor

18.2.07

esta fotografia foi tirada no dia vinte e cinco de janeiro passado pela patrícia campos. está o joão gesta, eu e o isaque ferreira. naquele corredor, estranho e húmido, passam todas as noites dois cavalos alados que, por promessa de amor, ali se apeiam das asas e cumprem com os pés no chão o caminho de ponta a ponta. um dia, estou certo, o amor fará com que ninguém precise de asas, para que todos os corredores se transformem em praças e nada mais se esconda do sol

17.2.07

a imagem primeiro, o poema depois, um

é muito impreciso o morrer de amor, poderia
dizer-te apenas que amo quem tive por um
mês em toda a vida e me vendeu ao inimigo.
é ingrata a forma como te ato os pés e te
impeço de fugir, porque ao pensamento não
foram dadas pernas e vejo-te escapulir pelos
meus olhos, pelo interior azul das veias secando.
quero fazer-te morrer de amor por mim,
com a violência da urgência, superlativa
sobre a dádiva da emoção. quero acabar de
vez com a mania irritante de ires embora.
quero vingar-me de quem me deixou usando
a tua inocência ridícula, que desprezo, enquanto
me enfurece à medida em que te engano e te
faço acreditar, noite após noite, ao menos durante
um mês, que eu te farei feliz

imagem rui effe, poema valter hugo mãe

momentos floribella, sete

fred, caralho, seu conas, abre os olhos, meu cabrão. não vês que a delfina só te quer pelo dinheiro. porra, quem dera que a sic te invente uma morte para a gente se ver livre de um trouxa como tu. és o maior conas nojento da televisão desde sempre. porra. só me dá ganas de te esganar esse pescoço de galinha ruiva, catano

16.2.07

coisas que os macs fazem

eu e o nuno


eu e o miguel

15.2.07

curto e grosso

um bom amigo enviou-me um video de um trio inusitado entre uma mulher, um homem e um cão. vou apanhar chuva. aqui a cem metros fica o mar e está revoltado. estes dias trazem as coisas mais estranhas envoltas nas ondas. uma vez, cismei ver um homem a sair das profundezas e erguer-se na areia em direcção às casas. outra vez, vi nitidamente uma massa de luz que ascendeu do cintilar das águas. hoje, já sei, vou ver algo mais impossível ainda. é que o cão dominava a cena e parecia melhor do que o homem. ao menos pelo que a rapariga mostrava. caramba, pá, tens cá cada uma

(a imagem deslumbrante é, mais uma vez, do meu amigo rui effe)
fui jantar ao furusato, o meu restaurante japonês preferido, ali na maia, e esteve-se muito bem. obrigado companheiros. foi lindo. deslambidos de sensualidade e muita diversão. adorei. amei

14.2.07

não namoro. na verdade, há algum bom tempo que ninguém parece querer-me. sendo assim, nem um postal de são valentim vou fazer. prefiro roubar. este é do esgar acelerado (vejam a ligação para o blogue dele ao lado) e é muito ironicamente bonito

13.2.07

este gajo faz hoje anos.
parabéns.
estás bem estás
c.o.t.a.
(a fotografia é do luís tobias)

the temple bell . old jerusalem



francisco silva é já um dos músicos mais importantes do nosso burgo. ao terceiro longa duração do seu projecto old jerusalem, consegue não só consolidar-se como um surpreendente compositor e letrista, mas superar as expectativas - já altas - que poderíamos ter criado. the temple bell é, quanto a mim, o seu disco melhor produzido, melhor interpretado e onde se encontram algumas das suas melhores canções. entre registos que podem ser referênciados entre projectos como lambchop, will oldham, red house painters, low, etc., o universo de old jerusalem é já muito próprio e maduro, encontrando uma cada vez maior justeza da boa voz às destreza das composições perante a exigência das letras. as melodias estão lá, de forma nunca óbvia, para ouvintes requintados. sim, este é o requinte da música feita por portugueses. a boa música, marca bor land, para reiterar o bom trabalho desta grande editora portuguesa

não esperes do meu olhar a calma ternura
da paisagem. há em mim uma fome demasiada
capaz de fazer fremir a linha do horizonte.
não esperes no meu olhar a paciência ou
a majestade do respeito. há em mim um
amor demasiado capaz de fazer de nós
o mais castigador vento. usa a paisagem
para me colocares tão disponível sobre as
ervas, e usa o vento para me aludires ao
cabelo e até o horizonte se quiseres decidir
para onde desapareceremos a seguir, mas
entorna-te sobre mim em fúria e não esperes
senão o mesmo dos meus actos. até que possa
aceitar que és outra pessoa que não eu e que,
para meu desespero, não estás protegida no
mais insondável interior do meu coração

(imagem «olho porno, para valter hugo mãe» do césar figueiredo. muito obrigado césar. sem a tua belíssima imagem não existiria este poema, que, deste modo, também é para ti. muito obrigado. fiquei muito contente com o teu gesto. entretanto, para os espertos, deixo as ligações do césar pela net: http://holeart.blogspot.com/; http://artital.blogspot.com/; hhtp://seg2.blogspot.com/; http://tradital.blogspot.com/)