21.2.07

primeiro concurso imperdível casadeosso

eis o primeiro dia do primeiro concurso imperdível do casadeosso
quem pode concorrer:
podem concorrer todas as pessoas maiores e menores de idade, portuguesas e estrangeiras, brancas ou pretas ou às risquinhas, com marido ou mulher, dinheiro ou nada disso, bonitas ou feias ou mais ou menos.

como:
serão aceites a concurso fotografias originais. isso mesmo. quero receber as mais bonitas, estranhas, inusitadas, surpreendentes, certinhas ou todas erradas, fotografias que possam tirar.
publicarei todas as fotografias enviadas (contando não receber um milhão) e escolherei impiedosamente a vencedora.
atenção, uma fotografia por pessoa.
haverá, no entanto, uma atenção especial dada às fotografias tiradas com telemóvel que resultará no seguinte: se a fotografia vencedora em absoluto for tirada por telemóvel, a questão está resolvida, se não o for, haverá uma segunda vencedora, escolhida exclusivamente entre as «telefotos», que receberá um prémio surpresa arrebatador e lindo. podem crer. isto para acabar de vez com as polémicas geradas por quem tem ou não tem um telefone com câmara.
prazo:
recebo imagens até ao dia 15 de março. a 16 mostro a vencedora.

prémio (sim, porque isto está tudo muito bem pensado):
um exemplar do meu último livro «pornografia erudita» assinado e desenhado por mim. farei um esforço para que se torne num objecto único, preenchido por pequenos desenhos que aludam ao universo dos poemas ali inclusos; um exemplar de cada um destes livros da minha autoria: «a cobrição das filhas», «três minutos antes de a maré encher», «útero»; um exemplar do esgotado e já impossível de adquirir livro «exercício do bom amor» que contém poemas meus e ilustrações do esgar acelerado - a edição foi de apenas cem exemplares; um cd pirata com as músicas que, neste início de 2007, são as que uso para sonorizar a minha vida.
agora, é convosco. fico curioso. ganhem coragem e digam coisas. este é o email: nemporisso@portugalmail.pt
(a fotografia tirei nos maus hábitos e vê-se um trabalho de naoki seshimo e édulo de araújo valença lins. lindo, por sinal)

digamos que esta é a verdadeira visão

(fotografia de lucília monteiro. obrigado lucília)

gosto


os dias de um génio

é como se a morte entrasse em
casa, cansada de lutar contra quem
se põe eterno, num dia assim sem
mais nada, ridícula ante o génio,
boca calada, até desejando ser
quem não é. josé, olha para ti,
um homem simbólico, erguido
na voz igual a muro, céu ou
inferno. que a partir de ti há
quem traga coisas de nascer para
a praça e quem entenda que é tempo
de morrer. somos livres, somos
livre de te ter

agora é a sério, três

os dias de um génio

zeca afonso

é belíssimo o trabalho feito pela associação josé afonso na sua página virtual. oferece o mais limpo, organizado e completo conjunto de informações sobre o génio português, como nenhuma outra página em portugal faz sobre o autor de que versa. contendo toda a discografia, letras, fotografias, bibliografia passiva, loja, etc., etc., esta página é uma homenagem sobretudo aos admiradores que, assim, se munem de pistas sunstanciais para encontrarem aquilo por que procurem

os dias de um génio

zeca afonso


Minha mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou
entrou aqui uma mulher a dizer-me que eu estava a fazer muito barulho. como dormia, perguntei se estava a referir-se ao facto de ressonar. disse-me que não. desconfiou de mim e disse-me que eu estaria a dançar, na certa. sou manifestamente tosco nas artes performativas, não me queira ver a dançar, disse-lhe eu. estava a dormir, insisti. mas, nada feito, a pobre queria bater-me, prometeu que voltaria com a vassoura na mão se eu voltasse a incomodá-la. sorri. perguntei-lhe se era a super-mulher. disse-me que talvez fosse. respondi-lhe que quando era miúdo eu adorava a super-mulher e que queria muito muito muito fazer-lhe filhos. é assim que se desmancha uma vizinha. em milésimos de segundos ponderou tudo numa outra perspectiva e suspirou. básica

amália rodrigues - gaivota

no dia 14 de março próximo, o depósito legal (colectivo de que faço parte, com isaque ferreira e joão tiago martins) apresenta na casa das artes de famalicão um evento dedicado à resistente edições mortas. contaremos com a presença de a. da silva o., antónio s. oliveira (....), a. pedro ribeiro, gilberto de lascariz, raúl dimões pinto e virgílio liquito. a moderação estará a cargo do isaque.
faço o repto a quem tiver alguma questão pertinente a colocar a algum dos convidados, para deixar a sua sugestão na caixa de mensagens deste post. a edições mortas simboliza uma atitude muito especial no espectáculo cada vez mais deprimente da edição em portugal. é inegável o seu papel combativo contra a pasmaceira mesmizadora que nos assola. para fazer justiça ao seu esforço, contamos com a vossa colaboração

20.2.07

baby dee
sob as estrelas negras, eu e o antony estivemos a ver cada vez menos o passado e a pensar que o futuro, assim como assim, haverá de se acender tarda nada. sorrimos. no escuro, sorrimos e percebemos que estavamos a sorrir. foi muito bonito. quando estiver em nova iorque, quero dizer, quando eu estiver em nova iorque e nunca mais voltar, a única coisa que terei de igual com aquilo que aqui vou deixar, será a noite mais densa, e sempre a vontade de só existir futuro
(fotografia de alice o'malley)

19.2.07

agora é a sério, dois

agora é a sério, um

para responder a quem me vai perguntando sobre onde se pode encontrar o meu novo livro à venda, aqui fica a lista das livrarias com que a cosmorama já está a trabalhar. são as chamadas livrarias parceiras. o meu livro estará já em todas elas, havendo a possibilidade, se não for o caso - por estar esgotado, nomeadamente - de se fazer pedido de encomenda. o livro pornografia erudita tem chancela das edições cosmorama e pode também ser adquirido com pedido directo para o editor. corram a ligação para chegar até ele.

livraria portugal, rua do carmo, 701200-094 lisboa - 213474982 - www.livrariaportugal.pt
livraria latina, rua de santa catarina,2, 4000-441 porto - 222001294
giralivro, avenida joão de deus ramos, centro comercial girassolum – 2º, loja 221, 3030-328 coimbra - 239721381
livraria 100ª página, casa rolão - av. central, 118/120, 4710-229 braga
poetria, rua das oliveiras, 70 r/c loja 5, 4050-448 porto
maria vai com as outras, rua do almada, 443, 4050-039 porto
papelaria central albicastrense, rua rei dom dinis, 5/7, 6000-272 castelo branco - 272 344 228
livraria esperança, rua ferreiros, 119, 9000-082 funchal - 291 221 348 - http://www.livraria-esperanca.pt
livraria pára e lê, de samuel alexandre dantas da silva, rua 31 de janeiro, 47 a, 4910-455 vila praia de âncora - 258 915 043 - www.livrariaparaele.com
livro do dia, de luís filipe cristóvão, av. general humberto delgado, 6a, 2560-272 torres vedras - 261 338 924 - www.livrododia.com.pt
na emissão de hoje da prova oral, o rui lage vai falar de poesia e da sua pertinência na vidinha tão aparentemente apoética dos nossos dias. bom tema. verifiquem por favor

18.2.07

esta fotografia foi tirada no dia vinte e cinco de janeiro passado pela patrícia campos. está o joão gesta, eu e o isaque ferreira. naquele corredor, estranho e húmido, passam todas as noites dois cavalos alados que, por promessa de amor, ali se apeiam das asas e cumprem com os pés no chão o caminho de ponta a ponta. um dia, estou certo, o amor fará com que ninguém precise de asas, para que todos os corredores se transformem em praças e nada mais se esconda do sol

17.2.07

a imagem primeiro, o poema depois, um

é muito impreciso o morrer de amor, poderia
dizer-te apenas que amo quem tive por um
mês em toda a vida e me vendeu ao inimigo.
é ingrata a forma como te ato os pés e te
impeço de fugir, porque ao pensamento não
foram dadas pernas e vejo-te escapulir pelos
meus olhos, pelo interior azul das veias secando.
quero fazer-te morrer de amor por mim,
com a violência da urgência, superlativa
sobre a dádiva da emoção. quero acabar de
vez com a mania irritante de ires embora.
quero vingar-me de quem me deixou usando
a tua inocência ridícula, que desprezo, enquanto
me enfurece à medida em que te engano e te
faço acreditar, noite após noite, ao menos durante
um mês, que eu te farei feliz

imagem rui effe, poema valter hugo mãe

momentos floribella, sete

fred, caralho, seu conas, abre os olhos, meu cabrão. não vês que a delfina só te quer pelo dinheiro. porra, quem dera que a sic te invente uma morte para a gente se ver livre de um trouxa como tu. és o maior conas nojento da televisão desde sempre. porra. só me dá ganas de te esganar esse pescoço de galinha ruiva, catano

16.2.07

coisas que os macs fazem

eu e o nuno


eu e o miguel

15.2.07

curto e grosso

um bom amigo enviou-me um video de um trio inusitado entre uma mulher, um homem e um cão. vou apanhar chuva. aqui a cem metros fica o mar e está revoltado. estes dias trazem as coisas mais estranhas envoltas nas ondas. uma vez, cismei ver um homem a sair das profundezas e erguer-se na areia em direcção às casas. outra vez, vi nitidamente uma massa de luz que ascendeu do cintilar das águas. hoje, já sei, vou ver algo mais impossível ainda. é que o cão dominava a cena e parecia melhor do que o homem. ao menos pelo que a rapariga mostrava. caramba, pá, tens cá cada uma

(a imagem deslumbrante é, mais uma vez, do meu amigo rui effe)
fui jantar ao furusato, o meu restaurante japonês preferido, ali na maia, e esteve-se muito bem. obrigado companheiros. foi lindo. deslambidos de sensualidade e muita diversão. adorei. amei

14.2.07

não namoro. na verdade, há algum bom tempo que ninguém parece querer-me. sendo assim, nem um postal de são valentim vou fazer. prefiro roubar. este é do esgar acelerado (vejam a ligação para o blogue dele ao lado) e é muito ironicamente bonito

13.2.07

este gajo faz hoje anos.
parabéns.
estás bem estás
c.o.t.a.
(a fotografia é do luís tobias)

the temple bell . old jerusalem



francisco silva é já um dos músicos mais importantes do nosso burgo. ao terceiro longa duração do seu projecto old jerusalem, consegue não só consolidar-se como um surpreendente compositor e letrista, mas superar as expectativas - já altas - que poderíamos ter criado. the temple bell é, quanto a mim, o seu disco melhor produzido, melhor interpretado e onde se encontram algumas das suas melhores canções. entre registos que podem ser referênciados entre projectos como lambchop, will oldham, red house painters, low, etc., o universo de old jerusalem é já muito próprio e maduro, encontrando uma cada vez maior justeza da boa voz às destreza das composições perante a exigência das letras. as melodias estão lá, de forma nunca óbvia, para ouvintes requintados. sim, este é o requinte da música feita por portugueses. a boa música, marca bor land, para reiterar o bom trabalho desta grande editora portuguesa

não esperes do meu olhar a calma ternura
da paisagem. há em mim uma fome demasiada
capaz de fazer fremir a linha do horizonte.
não esperes no meu olhar a paciência ou
a majestade do respeito. há em mim um
amor demasiado capaz de fazer de nós
o mais castigador vento. usa a paisagem
para me colocares tão disponível sobre as
ervas, e usa o vento para me aludires ao
cabelo e até o horizonte se quiseres decidir
para onde desapareceremos a seguir, mas
entorna-te sobre mim em fúria e não esperes
senão o mesmo dos meus actos. até que possa
aceitar que és outra pessoa que não eu e que,
para meu desespero, não estás protegida no
mais insondável interior do meu coração

(imagem «olho porno, para valter hugo mãe» do césar figueiredo. muito obrigado césar. sem a tua belíssima imagem não existiria este poema, que, deste modo, também é para ti. muito obrigado. fiquei muito contente com o teu gesto. entretanto, para os espertos, deixo as ligações do césar pela net: http://holeart.blogspot.com/; http://artital.blogspot.com/; hhtp://seg2.blogspot.com/; http://tradital.blogspot.com/)

dois poemas


um
vou denunciar a tua beleza às forças
do mal. para que sustentem a teoria de
que vens do paraíso ainda defendida pelas
coisas mais puras. e quero ver-te salva a
cada investida, quero ver-te protegida, e
se não forem divinas as forças que te
mantiverem intacta, hão-de ser minhas,
para te suscitar o amor e obrigar a vê-lo
por inteiro no melancólico desamparo do
meu tão cansado e ansioso olhar

dois
vou construir um muro em teu redor e
ficar a ver-te quieta sentada no chão. poderás
encontrar amigos na terra, pequenos bichos que
passeiem por aí e te queiram pousar na mão
por um tempo. vou amar-te em cada segundo
apreciando o teu silêncio e o teu modo paciente
de te veres livre do muro. e vou deixar-te partir
quando, apegada às pequenas criaturas, te apegares
a mim, pequeno no mundo, sem nada, apenas
feito para ti até ao fim
(fotografia da eva malainho - obrigado, eva)

12.2.07


sandra, volta amor, estás tão perdoada que até me dá fanicos no coração. tenho saudades tuas, mulher. deixa paris de frança e volta para nós, tão pequenitos e pobres mas tão majestosamente bons como o milho

público

sou leitor do público, desde sempre. é o jornal da minha geração. lembro-me de se ter começado a publicar - tenho guardado algures o número um - estava eu no primeiro ano do curso de direito, cheio de convencimento de que ser adulto passava por adoptar um jornal, e que este era - e é mesmo - a cara da contemporaneidade.
habituei-me a encontrar neste jornal aquilo que queria saber sobre o mundo, e habituei-me ao tom dos seus colaboradores. agora, é com um certo orgulho de leitor que encontro a nova edição como ainda mais bonita e mais ágil do que a anterior. sou a favor das mudanças de estética. sou sempre a favor do risco, sobretudo quando se trata de quem manifesta inteligência e aposta num certo toque de sofisticação. porque não se chega ao século xxi para desprezar quanto se evoluiu. e o público é evolução, é estética, bom gosto, atitude, risco, informação, curiosidade, cosmopolitismo, abertura de espírito, dinâmica, fotografia, literatura, música, mulheres e homens. eu gosto ainda mais do novo público. só me resta esperar por sexta-feira para saber o que farão dos extintos mil folhas e y, os meus suplementos preferidos, no condensado ípsilon

vila do conde

eleitores – 61.317
votantes – 27.520 (44.9%)
nulos – 145 (0.5%)
brancos – 356 (1.3%)
sim – 13.682 votos (49.7%)
não – 13.337 (48.5%)
abstenção – 55.1%

por vezes oferecem-nos flores que não sabemos agradecer, mas tentamos

10.2.07


o hoin tinha tirado uma fotografia muito mais fixe do meu boneco...

9.2.07


o antónio machado é o autor de três romances editados na quasi edições, dois ainda no meu tempo e um terceiro já mais recentemente: «moema», «conversas no extremo da mágoa» e «amores finitos» são os títulos dos seus textos densos e superiores. soube agora que tem uma página virtual para divulgação do seu trabalho, coisa que louvo e quero publicitar. gosto dos livros do antónio, espero que consigam, no tempo, a visibilidade que merecem e que na quasi nunca lhes conseguimos dar

migração


um dia também partirei com os pássaros

e saberei que amar-te

terá sido um instinto sazonal


este pequeno e belo poema é de uma moça de aveiro que se esconde sob o nome de inominável. é lindo de mais. por isso me sirvo dele para lhe agradecer o piropo. beijinho, moça de aveiro. obrigado. a imagem é de hoin (ver mensagem abaixo)

8.2.07

hoin

hoin é a assinatura do artista hugo borralho que faz umas peças sensíveis das quais sou admirador. conheci o seu trabalho através do mercado das artes e adquiri, em bom tempo, três dos seus presépios que usei de presente de natal para os meus irmãos. ontem, para meu orgulho e felicidade, os meus amigos do curso de escrita criativa da velha-a-branca (braga) ofereceram-me uma representação simpática da minha pessoa inspirada na pose erótica da capa do meu último livro. fiquei mesmo sensibilizado. adorei. agradeço a quem fez a oferta e a quem acedeu a criar tal objecto. valeu. está pomposo na minha árvore de memórias

momentos floribella, seis


cuidado com a delfina, querida, ela não é a tua irmã. raios te partam, flor, és tão crédula. não podes acreditar em tudo o que te dizem. a delfina e a bruxa mãe só querem o dinheiro do fred, não entendes? tens de fechar o teu coração a esses abutres. foge flor, foge. tu és linda, podes ser ainda muito feliz.
entretanto, fecha as pernas

(imagem do maravilhoso chris anthony)

7.2.07

livros de areia




nestes últimos anos (ano e meio, dois) surgiram alguns dos mais interessantes projectos editoriais do país. sempre fui fascinado por editoras pequenas e de atitude diversa, por isso, sou defensor incondicional da maravilhosa & etc., ou das edições mortas, frenesi, etc. além da excelente tinta da china, e da novíssima ovni, há um projecto que me merece, desde o início, uma atenção redobrada, a livros de areia. nascida em viana do castelo - trabalho duro de uns joão seixas e pedro marques -, esta editora é vertiginosamente competente na criação de objectos belíssimos, com os melhores papeis, o melhor design, as melhores ilustrações (até lá têm o joão maio pinto - fabuloso) e, mais importante, grandes textos. sugiro a passagem pela excelente página da editora.
autores carismáticos da casa: rhys hughes, jeff vandermeer, jerzy kosinski, bianca riestra, entre outros.
particularidade: não aceitam originais de poesia. boa

acabo de ver a astróloga maya (enfim) a dizer que o meu signo - balança - está posicionado no primeiro lugar da tabela das energias-não-sei-das-quantas, com a carta estrela do tarot a reger o meu dia. ui ui, diz ela que é o momento no qual se manifesta a importância de ter alguém ao meu lado e que, isto sim é relevante, hoje é o dia para avançar sem medos no plano afectivo: ou a declaração deve ser feita, ou devemos dar um beijo de uma vez por todas ou, quem sabe, até ir para a cama. não sei bem. mas tenho umas ideias para pôr em andamento cá umas coisas afectivas em que ando a pensar. sim sim. depois, se não der certo, peço um indemnização à sic por atrofiarem os espíritos pobres, como o meu, com estas tretas medievais. de todo o modo:
se alguém tiver ideias e quiser avançar, poderei apreciar a iniciativa. estás a entender????? faz lá qualquer coisa. eu também faço. podes crer

(a imagem roubei à maf martins do blogue diário de sombras)

momentos noticiosos, um

o engenheiro sócrates, odiado por todos os portugueses sem excepção, pisou um casca de banana à porta de sua casa e caiu nos braços do zinguré, acabadinho de chegar da guiné. o engenheiro, apoquentado com o que o estrangeiro iria pensar, disse, ui. depois, levantou-se num belo pé de bailarino e seguiu para o seu emprego com vontade de lixar um pouco mais as coisas. o zinguré, maravilhoso, sorriu e não pensou nada sobre as meias cor de laranja nem comprou a caras para saber quem é a fernanda câncio. o engenheiro, simpático, garantiu que nunca iria à guiné, coisa que descansou a população daquele país. os portugueses, fartos do sócrates, compram passagens baratas para a europa com a esperança tola de serem convidados para limpar casas de banho públicas nas melhores capitais de distrito

audiências

socorro, à hora do telejornal perco sempre audiências. as visitas ao meu blogue descem vertiginosamente. o que fazer para combater este duro golpe, pergunto. já não bastava a floribella, e a necessidade de combatê-la com estes momentos estranhos, vou ter de passar a momentos noticiosos e serei impiedoso

6.2.07

momentos floribella, cinco


aqueles putos de que tomas conta, esses muito chatos, parecem fósforos apagados sem prestação. gostava de os molhar no fontanário, como nas estúpidas praxes académicas, e esquecer-me deles no jardim até que esfriem infinitamente com este inverno dum cabrão

(imagem do maravilhoso chris anthony)

5.2.07

momentos floribella, quatro


menti-te. talvez não esteja tão seguro sobre as coisas do amor quanto te disse. mas isso não implica que devas baixar a guarda em relação à bruxa da delfina. prefiro acreditar que vais ser capaz de lhe espetar a espada de madeira no coração e secá-la ao sol como um pano de cozinha. é isso que precisas de fazer. e não te preocupes com a possibilidade de o fred te ver. ele vai adorar que venças a guerra. és mais bonita, és do norte, deves ser muito melhor na cama. e não queiras fazer lembrar-me dos nossos tempos. invento de conta que nunca estivemos. sim. é um modo de ser só teu amigo. não quero ser mais nada. mesmo mais nada. quero estar livre intensamente para quem me quiser vir buscar. só precisa de dizer que veio para isso mesmo, buscar-me. e seguirei sem resistência, convicto de que o meu tempo de ser feliz começou

(imagem do maravilhoso chris anthony)

momentos floribella, três


floribella, querida, também eu estou farto de quem, por orgulho, não me quer amar. é verdade. estou farto de quem não se verga ao peso do coração. porque haverei de ser sempre eu a fazê-lo, pergunto-te. não o faço nunca mais. ao menos, não enquanto me doer.
a delfina, rapariga, é que tem razão. pensa só no dinheiro. é boa como o milho e come-os a todos. devias ser um pouco mais assim, floribella. eu também. vou ser insuportavelmente assim. à procura de dinheiro e mais nada.
estás com um penteado novo, ou é impressão minha. fica-te bem. vai ser interessante sair contigo esta noite. a ver se te pegam os adultos, que de tanta chavalada já deves andar com a mania da maternidade e isso, vade retro, é que não

(imagem do maravilhoso chris anthony)

4.2.07

momentos floribella, dois


querida, estou a dizer-te de coração. o mais certo que tens a fazer é agarrares-te a ele, de vez por todas, e esqueceres isso de andarem sempre às turras. e não te queixes de ele ser tão feio. deixa lá. podia ser-te bem pior o destino. baixa a saia, não insistas. não vou fazer-te um filho para te vingares da outra. e depois, ter um filho é um acto de grande responsabilidade e eu não queria que escolhêssemos o aborto algum tempo depois. sim, eu sei que abortar vai virar moda, e ficarei invejoso de não estar envolvido nisso, mas não quero, por um capricho que possamos ter agora, recorrer aos hospitais públicos para nos ajudarem, porque, de todo o modo, são hospitais portugueses e o mais rigoroso é tentarem matar-nos de qualquer maneira. estás a imaginar-me tão na flor da idade e enterrado no cemitério de vila do conde. que desperdício. tenho ainda tanto para fazer. amanhã, por exemplo, vem cá um amigo de infância. poderei passar horas a lembrar onde era a casa da professora da escola primária e onde gaudávamos o lanche da nossa amiga gordita. vou divertir-me tanto. não tenho hipótese de me ocupar agora com os pormenores da tua desilusão com o amor. vai. voa voa

(ilustração do maravilhoso chris anthony)

3.2.07

momentos floribella, um


a floribella veio cá a casa pedir-me para casar com ela. dizia, valter, por favor, não aguento mais o frederico, ele tem cabelo cor de cocó e preciso tanto de voltar para o norte. e eu disse-lhe, rapariga, ganha tento, com essa saia murchas-me as flores todas, até as que deus melhor me regou. e depois, dei-lhe cinquenta escudos, pensei, não tens nada, nem dinheiro, nem ouro, toma lá uma moeda com algum orgulho nacional a ver se te avias ali para os lados dos pescadores. com alguma sorte embarcas numa traineira e és feliz pendurada no mastro.
sabes, floribella, estou cansado de estar aqui à espera que me venham convidar para casar, e agora, assim como assim, apetece-me ser eu a dizer que não. por isso, volta lá para lisboa e enxuga as lágrimas. hás-de ter muito quem te coma. não precisas de mim para nada, minha querida. eu continuarei a ver-te atentamente. a sério, não perco nada, sou teu fiel seguidor, mas sem essa de amar e casar para sempre. vai. voa voa

(ilustração do maravilhoso chris anthony)

2.2.07

sexta feira à noite, um frio de rachar. estou ainda sem grande prestação. presto pouco. espirro. coisa que faz o coração, sozinho, muito sozinho. amanhã era bom que batesse o sol assim de mão cheia. a doer. a queimar. para queimar pontos negros. como a abrir clareiras nas florestas. só amanhã, para me entreter a espera

1.2.07

pub


o meu novo livro pode já ser comprado na livraria poetria (rua das oliveiras, 70 r/c, loja 54050-448 porto - que é a rua do auditório carlos alberto). outras livrarias parceiras da cosmorama podem ser descobertas no blogue da editora.

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prémio de poesia guilherme de faria - 2007

regulamento
1. no contexto do centenário do nascimento do poeta guilherme de faria a cosmorama edições institui anualmente o prémio de poesia guilherme de faria.
2. o prémio é atribuído na modalidade de poesia, visando estimular a criação poética e, em especial, o aparecimento de novos autores.
3. são admitidas a concurso exclusivamente obras inéditas em língua portuguesa, com o mínimo de 20 [vinte] páginas.
4. o prémio consiste na edição da obra premiada pela cosmorama edições.
5. as obras concorrentes deverão ser enviadas para prémio de poesia guilherme faria, rua nossa senhora da paz, 90 – 4470-804 maia, até ao dia 30 de junho de 2007.
6. para efeito de atribuição do prémio, será constituído um júri composto por três elementos a determinar.
7. o júri pode propor a não atribuição do prémio por falta de qualidade das obras concorrentes e não pode atribui-lo a mais do que uma obra.
8. os trabalhos concorrentes, de que deverão ser enviados 3 [três] exemplares; serão assinados com um pseudónimo e acompanhados de um envelope lacrado contendo a identificação do autor e os dados para contacto.
9. os exemplares dos trabalhos não premiados não serão devolvidos, sendo destruídos 30 [trinta] dias após o anúncio dos resultados.
10. os resultados serão publicados na comunicação social e disponibilizados no site da editora no dia 6 de outubro de 2007.

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saiu o primeiro número da revista obscena, um projecto editorial independente dedicado às artes performativas. coordenada por uma equipa de críticos (ver ficha técnica no fim do texto) a revista terá periodicidade mensal estando apenas disponível para download em pdf no site www.revistaobscena.com.
nas suas várias secções publicará notícias, reportagem, entrevistas, críticas, artigos de opinião, ensaio e fotografia, equilibrando temas da actualidade nacional e internacional a revista quer contribuir para a promoção do diálogo e da discussão sobre as várias disciplinas artísticas nas suas diferentes fases de trabalho, através de textos assinados por críticos, investigadores, jornalistas, programadores e criadores portugueses e estrangeiros que também reflictam acerca do contexto onde estas se inserem.
o primeiro número, correspondente ao mês de fevereiro, traz um dossier sobre a realidade cultural do irão, cruzando os olhares da coreógrafa alemã helena waldmann e do encenador iraniano amir reza koohestani, com os da crítica local kathy salmasi e da jornalista margarida silva lopes. aborda ainda o teatro do alemão thomas ostermeier, conversa com o encenador libanês rabih mroué e o antropólogo andré lepecki, e visita o pavillion noir, o novo centro coreográfico nacional em aix-en-provence, dirigido por angelin preljocaj. dá ainda espaço à dramaturga regina guimarães para falar sobre o sentido de ainda se fazer teatro no porto, e à crítica e investigadora búlgara kalina stefanova que pergunta se a crítica teatral pode ser pós-dramática. isto para além das colunas de opinião, críticas a espectáculos, livros e dvds, e a aposta no filme body rice, de hugo vieira da silva, num total de cem páginas e quase quarenta artigos.
nota: todas as informações consideradas relevantes devem ser remetidas para o e-mail obscena@revistaobscena.com até dia 08 de cada mês.
revista obscena
editor: tiago bartolomeu costa
editores associados: jorge louraço figueira, miguel-pedro quadrio e mónica guerreiro
colaboradores: bandeira, rui monteiro, josé luís neves e pedro manuel
design: tiago rodrigues
mais informações:
tiago bartolomeu costa (editor): mailto:tiago.bartolomeu@sapo.pt

31.1.07

o quê

em frança surge mais uma ideia brilhante, uma equipa de futebol gay. o quê, devem estar a perguntar. isso mesmo. imagino que devam escolher os jogadores pelo porte atlético, depois, devem pô-los a lamberem-se uns aos outros para darem provas de que são de facto o que dizem ser e depois, mas só depois, metem-nos no campo a correrem atrás da bola. há qualquer coisa aqui que me escapa. eu julgava que para jogar futebol, e em princípio jogar bem, não se perguntava exactamente ao desportista se dormia com o amigo ou com a amiga, mas ao que parece esta gente iluminada entende que o sexo pode e deve estar na base de todas as descriminações. se isto fosse feito por motivos folclóricos, muito bem, porque cada um lá se deve entreter com o que lhe aprouver, mas por desporto, a sério??? parece-me uma iniciativa verdadeiramente homofóbica, capaz de mostrar a homossexualidade como uma belezazinha digna de jardim zoológico. estou a ver os parisienses que gostam de futebol dizer: vamos ao jogo do paris foot gay, eles jogam tão bem, deve ser porque se lambem todos antes de entrarem no campo

30.1.07

estou com aquela gripe da moda de que se fala na televisão. febre acima dos 39 e muitos delírios, com os quais me vou entendendo com alguma piada. de sexta até hoje, e parece-me que com direito a extensão até amanhã, só caminha e mais nada. estou farto, sim, e estava há tanto sem ver emails e blogues e gente na rua, que tive de sair por meia hora. obrigado a quem aqui passa. mais tarde responderei ao que me houverem perguntado ou precise de agradecimento personalizado. cuidem-se, é que com gripe nem ficamos bonitos de sermos vistos nem nada (enfim, embora tenha emagrecido dois quilos, o que é sempre agradável)

26.1.07

não sei fazer aquelas ligações bonitas para os videos do youtube. mas tenho de vos pedir que vejam o absurdo do discurso de um tal (puta que pariu) josue yrion, pastor (puta que pariu), sobre a disney e o satanismo (puta que pariu). a minha opinião, que é só a opinião de um leigo, é a de que um discurso destes aponta para uma psicopatia aguda, capaz de ver no rabo de cavalo da barbie uma mensagem satânica enviada aos extraterrestres do desprezado plutão (puta que pariu). só me apetece dizer palavrões. desculpem, mas assim não dá mesmo

coisas para uma felicidade inteligente

«Michael Cashmore - The Snow Abides
The new mini-album from Michael Cashmore, with guests Antony and David Tibet.
We are delighted to announce the release of ‘The Snow Abides’, the new solo mini-album from Michael Cashmore. This release comprises five thematically linked songs: all vocals are sung by Antony, all song texts are written by David Tibet, and all music is composed and played by Michael Cashmore.
Available from www.jnanarecords.com
‘The Snow Abides’ is Michael’s most accomplished and poignant work to date, solo or otherwise.»

o michael cashmore tem sido fundamental no brilhantismo da carreira dos current 93, acompanhado pelo antony torna-se ainda mais deslumbrante
para agradecer a todos quantos ontem à noite transformaram a noite no teatro do campo alegre em algo de muito especial. muito obrigado. estou profundamente sensibilizado

25.1.07

esta manhã, dois pássaros vieram conversar no parapeito da minha janela. com o tempo, em silêncio, percebi sobre que discutiam. fiquei espantado. nunca pensei que no inverno pudessem vir acusar-me de voar menos. ser menos visto entre as nuvens. estar tão cá em baixo, com os pés pousados no chão. afugentei-os com uma mão no ar. prefiro ler o jornal e apreciar a margarida, as suas pernas longas, o modo bonito como se debruça na mesa do café para pousar o tabuleiro com o pequeno-almoço

23.1.07

pornografia erudita

um
chama-se pornografia erudita o meu novo livro de poesia. editado pela cosmorama, será colocado à venda na noite de quinta feira, a partir das 21.30h, no teatro do campo alegre no porto.

dois
na quinta feira à noite, a partir das 22h, realiza-se o espectáculo, com o mesmo nome de pornografia erudita, inserido no ciclo quintas de leitura. os bilhetes estão esgotados.


três
a circulação deste livro será algo complicada. a cosmorama está em remodelação do seu sistema de distribuição, pelo que não prefiguro uma distribuição nem rápida, nem abrangente. e isso está muito bem. quem quiser adquirir o livro poderá entrar em contacto com o editor e encomendá-lo via correio.

quatro
o espectáculo do campo alegre conta com a surpresa do lançamento do primeiro disco a solo do paulo praça (plaza). o primeiro single está escolhido e entregue às rádios para tocar a qualquer momento. chama-se a verdade e, como todo o disco, tem letra da minha autoria.

cinco
o josé rui teixeira, editor da cosmorama, tem tomates, que é como quem diz, tem ética. há coisas perante as quais não devemos recuar. era só o que faltava.
a cosmorama conta no seu catálogo com autores como jorge melícias, agustina bessa luís, miriam reyes, silvia chueire, antónio ramos rosa, carlos alberto braga, isabel coelho dos santos, hilde domin, rui amaral mendes, josé félix duque, etc..

seis
a fotografia da capa do livro é do nelson d'aires.
sete
as quintas de leitura agora têm um blogue: http://quintasdeleitura.blogspot.com/, administrado pelos grandes joão gesta e patrícia campos.

22.1.07

fiama hasse pais brandão

um dia, o jorge disse-me que poderíamos visitar a fiama quando fossemos a lisboa. fiquei ansioso pela oportunidade de estar com quem tanto admirava. aconteceu numa tarde em que chegámos para uma sobremesa bonita e ela estava muito bem disposta. foi quando nos cedeu o livro «fábulas» para primeira edição na quasi. explicou-nos porque tinha um pequeno quadro da paula rego, muito antigo, ali pousado no sofá. explicou-nos porque a fruta que se via no seu jardim era tão grande. disse que queria rever toda a sua obra e que estava com vontade de pôr mãos ao trabalho. poucas semanas depois a sua doença agravou-se e deixou de comunicar. lembro-me de ir vê-la ao hospital, num fim de tarde. o meu pai havia morrido pouco antes. saí de lá a chorar. senti uma familiaridade estranha com a fiama. pedi ao gastão que lhe desse um beijo meu e que lhe dissesse, num momento de lucidez, que ela era para mim muito importante. estava errado. ela não era, ela é. aquelas coisas que só nos aparecem nítidas quando as situações exigem que os nossos sentimentos se expliquem. durante este fim de semana, a fiama foi morrendo. hoje, renasce, porque os poetas são eternos e ela brilha
«O Presidente da República ama-nos
O primeiro-ministro sacrifica-se por nós
Sacrificai-vos vós também
E será vosso o Reino dos Céus»
A. Pedro Ribeiro

19.1.07

este é o dia de aniversário da minha mãe, a pessoa mais importante do mundo. o papa, por exemplo, à beira dela, não vale nada, é menos do que o cabelo de um rato zingão apanhado de surpresa pela vassoura da mulher da limpeza do restaurante ali da esquina. isto para que vocês, que não conhecem a minha mãe, terem a noção da importância que ela tem. e para se unirem a mim nestes parabéns a você que me enchem o coração de emoção
no mais triste dos poemas o poeta tem
de morrer por amor. assim me despeço
de ti, só de ti, de modo breve e definitivo,
permitindo que sobre mim cresçam ervas
e mais tarde se afundem as raizes das
árvores mais eternas. no mais triste dos
poemas teria de estar eu, terias tu de
faltar, para que o meu amor, e eu morrer
por ele, fosse só uma dor minha, uma
dor em vão, fugaz tolice para enternecer
o meu sempre abandonado coração

imagem de rui effe

18.1.07

não estou certo de nada. gostava, contudo,
de acreditar que existes, para te esperar sem
angústia, talvez pôr a música mais baixo, ouvir
os vizinhos a conversar, preparar coisas para te
dizer, ler um livro, vestir-me. gostava de ter
por ti um amor convencional, sem ter de o
imaginar. com um jantar pelo meio, um passeio
no mais popular do parque, a ver cisnes e a
fugir dos cavalos. mas não estou certo de nada, e
mais fácil é fechar as portadas, escolher um cobertor
quente e fazer com que vente mais e mais lá fora

imagem de rui effe

17.1.07

se te cansares de mim, não me peças que
chore. deixa-me secar lentamente como
pelo tempo, mais me custará, porque mais
lento verterei a alma para a morte. no entanto
dá-me esperança de que não partirás,
aguardo-te muito quieto, muito quieto
para não atrapalhar os teus planos como quem
não quer assustar a caça. mas sou a presa,
eu sei que sou a presa. e tu podes vir reclamar-me
o couro com toda a violência, já não me importo
imagem de rui effe

16.1.07

não te acusei de nada, talvez me tenhas
entendido mal. disse apenas que estou
de coração fechado para um amor eterno,
prefiro paixões intensas e passageiras que
me possam até matar de súbito, mesmo sem
querer. não sei por que razão fiquei
assim, sem medo, sem nada a perder.
espero que possas aceitar o que te digo e
investir tudo sem reservas, consciente de
que investes em algo que até pode perdurar
mas anseia cruelmente pelo efémero

imagem de rui effe

15.1.07

deixei sobre a mesa o dinheiro que
necessitas para o dia. espero que te
sirva para o almoço e para qualquer
coisa ao lanche. desculpa. amanhã, como
é domingo, venderei os pães na igreja,
quem sabe me dará deus valor suficiente

para manter o amor. se amanhã houver
mais dinheiro, mais um pouco que seja,
compro o teu prato, os teus talheres,
um copo onde te sirva a água simples.
volta cedo, peço-te, volta cedo, como
não sei nada sobre decisões divinas
quero só não perder-te em tempo
além do impossível. vem comigo ver
o que é feito dos gatos que deitamos ao
campo. achas que estarão gordos ou
terão morrido. eu acho que estão gordos,
se deus quiser

imagem do rui effe

14.1.07

acabei de notar que trazes um olhar novo
na descabida esperança de ficares para a noite,
mas não pode ser, prefiro que sigas pelo escuro
cerrado, que arrisques até a vida na passagem da
ponte, que arrisque eu não voltar a ver-te, porque
esta noite devo fazer nascer um coração nos pés
para os magoar. quero fazer nascer um coração
nos pés e aguardar quem venha frio e se queira deitar
comigo. quero suportar a morte na minha cama,
como quem a partir dela começa a amar

imagem do rui effe