
27.7.07
estou sem paciência, pouca ciência, muita incerteza, tanta gente, pouco charme, toda a música, sem dança, só sono, estou sem licença, sem tesouro, com tempo, nenhum marasmo, nem contrário, muito parado, muito lento, estou sem saber, estou a escrever, estou sem pinheiro, sem natal, estou no verão, muito despido, estou moreno, tanto projecto, nenhum objecto, sem ninguém, tarde portuguesa, nada se mexe, estou sem ter quem, estou silente, com toda a música, muito charme, tanta noite, todas as horas, nenhum frio, muito vento, tanta gente, um beijo, estou sem ter pejo, não me mexo, nada se quebra, estou com desejo, estou sem ninguém, niguém me liga, estou no pinheiro, tanta estrada, muito não leva a nada, ninguém se mexe, nada me esquece, dia sem ninguém
23.7.07
17.7.07
13.7.07
ciclo de mini-espectáculos da censura prévia - isabel lhano e valter hugo mãe, junho de 2007
vou embora. eu sei que volto, porque tudo me prende a esta mulher, e a decisão de partir não a tomei de ânimo leve. é muito fácil pensar que a estou a trair, porque seguramente estarei com muitos outros corpos buscando aquele estranho afecto entre desconhecidos que me é essencial. é fácil pensar que a luxúria me domina e que é pelo sabor imediato da traição que vou embora. mas não é verdade tal coisa. esta mulher é tudo para mim. vejam-na dedicada, como sempre, nos afazeres da nossa casa. pacífica. criando em seu redor uma esfera de dignidade inquebrável. vejam como apura cada gesto. cada objecto que toca definitivamente saciado por existir e se não houvesse mais ninguém no mundo, esta mulher bastaria para o preencher e fazer sentir exultante de plenitude. é uma mulher com tamanhos interiores capazes de albergar a criação, a génese de toda a natureza como uma função mais que divina, uma função perfeita.
através dela, se repararem bem, podem ver mais adiante, mais adiante no tempo, como se o futuro do amor estivesse garantido no seu coração. eu também quero ver. vejo-a todos os dias e tento chegar a esse conhecimento raro do que será o futuro do nosso amor e por vezes parece-me tão nítido nos seus olhos. e ela diz, dou-te os meus olhos, são duas pedras de água à espera da tua sede. eu também quero ver, respondo-lhe. e ela pode depositar a cabeça no meu peito como se me oferecesse os olhos assim.
vou embora, sei que cruelmente, como não pode deixar de ser. vou sair sem aviso, abandonando cada coisa no lugar de sempre como se voltasse depois de um café, cinco minutos, nada mais. mas não voltarei tão depressa. ficarei muitos anos afastado e quando vier serei só reconhecível pela mesma necessidade de sempre e pelo amor eterno que lhe tenho. e continuarei à espera de também ver o que pode ver. esse futuro implacável onde, para sempre e sem quebras, pertenceremos um ao outro, dominando a necessidade animal de marcar outras pessoas.
é um afecto estranho esse o dos desconhecidos. e estranhas são as marcas com que ficam depois de nos conhecerem. como estranho é também que julguem constantemente que não ficam marcados e que não se perceberá, na manhã seguinte, o jogo de sentimentos em que se arriscaram. eu sinto como ficam alterados. desenvolvendo protuberâncias nos corpos como reacções alérgicas à monogamia. desenvolvendo os corpos como euforia pela traição. e assim se mostram como calejados para a ambiguidade da vida e julgam que se mantêm unos por ingenuidade ou fantasia. alguns, precisam de tempo para admitirem que também querem ver. ver esse futuro adiante onde se reconheçam calmos do animal que são e se consumam de tamanhos interiores capazes de criações mais do que divinas. como esta mulher.
através dela, se repararem bem, podem ver mais adiante, mais adiante no tempo, como se o futuro do amor estivesse garantido no seu coração. eu também quero ver. vejo-a todos os dias e tento chegar a esse conhecimento raro do que será o futuro do nosso amor e por vezes parece-me tão nítido nos seus olhos. e ela diz, dou-te os meus olhos, são duas pedras de água à espera da tua sede. eu também quero ver, respondo-lhe. e ela pode depositar a cabeça no meu peito como se me oferecesse os olhos assim.
vou embora, sei que cruelmente, como não pode deixar de ser. vou sair sem aviso, abandonando cada coisa no lugar de sempre como se voltasse depois de um café, cinco minutos, nada mais. mas não voltarei tão depressa. ficarei muitos anos afastado e quando vier serei só reconhecível pela mesma necessidade de sempre e pelo amor eterno que lhe tenho. e continuarei à espera de também ver o que pode ver. esse futuro implacável onde, para sempre e sem quebras, pertenceremos um ao outro, dominando a necessidade animal de marcar outras pessoas.
é um afecto estranho esse o dos desconhecidos. e estranhas são as marcas com que ficam depois de nos conhecerem. como estranho é também que julguem constantemente que não ficam marcados e que não se perceberá, na manhã seguinte, o jogo de sentimentos em que se arriscaram. eu sinto como ficam alterados. desenvolvendo protuberâncias nos corpos como reacções alérgicas à monogamia. desenvolvendo os corpos como euforia pela traição. e assim se mostram como calejados para a ambiguidade da vida e julgam que se mantêm unos por ingenuidade ou fantasia. alguns, precisam de tempo para admitirem que também querem ver. ver esse futuro adiante onde se reconheçam calmos do animal que são e se consumam de tamanhos interiores capazes de criações mais do que divinas. como esta mulher.
esta mulher não vai dar conta da minha ausência, ainda que por anos não me toque. vai ver-me sempre muito perto, no futuro, para o momento impressionante do meu regresso e para não nos separarmos mais. ficará assim, a cuidar da casa ininterruptamente, como se ininterruptamente a casa precisasse dela, que é uma maneira que terá de não precisar de mais nada. de não precisar de mim
dezoito anos da rádio universitária do minho comemorados à grande em braga. confiram o programa nesta ligação
12.7.07
11.7.07
10.7.07
por vezes a morte é impossível de explicar e eu sei que não é deste mundo a razão porque a eliana nos deixou.
nós de coração na mão, muito difícil de o guardar agora
.
«águas passadas do rio,
meu sono vazio,
não vão acordar;
águas das fontes calai
ó ribeiras chorai
que eu não volto a cantar.»
(josé afonso, «balada de outono»)
6.7.07
no meu post anterior alguém deixou um comentário dizendo não saber se eu acredito em mim próprio. hummm. um anónimo, claro, porque para dizermos estas coisas convém estarmos escondidinhos da silva. e é verdade. não acredito lá muito em mim. tenho a mania de que sirvo mais para coisas simples e de que qualquer proeza que faça não é suficientemente grande. expliquei-me? não me espanto com praticamente nada do que faça e estando feito nada me parece suficientemente grandioso para me satisfazer. por isso, corro continuamente e mesmo que não saiba para onde ir. eu acho que é apanágio de quem cria por necessidade - uma angústia em chegar a um lugar que realmente não existe, porque os artistas satisfeitos não existem e eu sou de uma insatisfação monstruosa que até me pode maltratar, mas da qual dependo para me reconhecer ou, mais dramaticamente, da qual dependo para ser
5.7.07
29.6.07
27.6.07
26.6.07
coisas para escandalizar a minha avó - dois
quero dar um beijo na boca da moça que vende os andantes na estação da casa da música. aquele morena, meio indiana. adorava meter-me com ela a fazer filhos, como uma fábrica de amor ali mesmo no betão armado tão frio e limpo
coisas para escandalizar a minha avó - um
quero meter a pila no meio dos makis do sushi. sempre achei que aquilo do peixe cru me soa a coisa mais viva do que as outras e as cores são tão bonitas. enfim. excita-me
25.6.07
24.6.07
corrente
apanhado nesta corrente, lá vos digo que o que tenho lido tem estas coordenadas: «travels in the scriptorium», de paul auster (que é uma porcaria - às vezes o auster tem destas coisas); «cidade poibida», de eduardo pitta; «fable pour le coeur», de bernard noël; «postcards / poste restante», de valdemar santos e emílio remelhe; «borboletas», de brane mozetic; etc etc.
passo a corrente aos gajos do segundo andamento. bute aí trabalhar.
obrigado, para já disse
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procura-se actor/actriz profissional ou com formação, entre os 18 e os 35 anos para
espectáculo para a infância.
full-time e disponibilidade para itinerância
enviar currículo e foto até 26 de junho
informações: 96 63 77 172
20.6.07
emprego
quero um emprego em paris e nao estou a brincar. tenho uma licenciatura em direito e uma pos-graduacao em literatura portuguesa moderna e contemporanea. fui editor durante 6 anos, tenho mais de uma dezena de livros publicados e organizei, apresentei ou moderei mil eventos culturais. em paris sirvo para o que for preciso. aguardo propostas, mesmo
9.6.07
6.6.07
duplesssssssssssss
esta noite, no dupless, em famalicão, a malta vai curtir um electro rock erótico e de acesso livre ao wc para retoques de maquilhagem. pois, a partir da meia-noite e meia, de young gods a shy child, de uffie a mão morta, tudo para as líbidos mais preguiçosas se tornarem selvagens.
ali ao pé da câmara, no primeiro andar de um prédio de esquina. eu estou disfarçado de dj, para atordoar. venham-se, por favor
4.6.07
1.6.07
obrigado aos amigos que se juntaram à festa da isabel ontem. obrigado sobretudo ao carlos e à marta, curtidos, que ficaram amigos de todos nós, com garantia de boas festas em novas ocasiões. e agora, ala para o mundo que está tudo a acontecer e não há alminha que aguente o poço interior da casa. queo fugir daquiiiiiiii
31.5.07
30.5.07
amanhã inaugura a partir das 17 horas a exposição da isabel lhano na galeria s. mamede em lisboa

e vamos estar todos a dar-lhe uma força porque a admiramos muito e porque o trabalho dela é uma participação na beleza mais delicada do mundo. das 17 horas em diante, na s. mamede, ali na rua da escola politécina, a vir do príncipe real para o rato, «a concha quadrada» (que título lindo) mostra-se e convida toda a gente. (este quadro foi fotografado pelo nelson d'aires)
28.5.07
27.5.07
24.5.07
querem saber uma coisa que não achavam que eu dissesse?
acho muito bem que a lena d'água se mande a este novo disco com roupagens mais jazz numa maturidade que poucos artistas pop em portugal conseguiram viver. há qualquer coisa que faz com que a grande parte dos músicos portugueses envelheça mal, e a lena d'água, de robot teenager e inconsciente tornou-se numa senhora livre, atirada às coisas com uma doce loucura, mas muito mais bonita nos sons, muito mais
boa. o sonhador em full time nomeou o casadeosso para blogue com tomates. uma votação a acontecer aqui.
para honrar o mérito de tal nomeação, republico a capa do meu último livro de poesia, para o publicitar - a ver se vos convenço a irem comprá-lo, que a cosmorama é uma editora pequena e precisa de vender livros - e para matar a curiosidade dos preguiçosos que não vão ver os arquivos
25 marché de la poesie de paris
aqui podem ver a informação sobre a participação de portugal como país tema no marché de la poesie de paris deste ano a acontecer neste próximo mês de junho
aqui podem ver o meu boneco na página oficial do marché, contente por ter sido convidado para lá estar, de barba cortada, a falar em francês esquisito porque infelizmente dá-me para inventar palavras e ser muito preguiçoso
aqui podem ver o meu boneco na página oficial do marché, contente por ter sido convidado para lá estar, de barba cortada, a falar em francês esquisito porque infelizmente dá-me para inventar palavras e ser muito preguiçoso
23.5.07
21.5.07
18.5.07
primeiro a imagem depois o poema

ainda hoje te vi saborear em tragos os
contornos das traições
que todos os dicionários evangélicos exibem
como pecados.
inchas como as palavras portuguesas rudes
das penas,
condenaram-te.
tens por ti uma chaga nova em lapa a pesar-
te como vermelho.
já fizeram de ti soluços. fizeram-te ressaca
crespa de sal.
valia-te pensar a possibilidade de
adormeceres de mãos coladas ao peito
sem ouvir as histórias que os tijolos do teu
quarto rezam.
.
imagem de valter hugo mãe. texto de rui effe
17.5.07
albertino valadares
para que saibam que o pintor albertino valadares tem uma página pessoal acabada de estrear e que pode ser encontrada aqui
16.5.07

depois de muito se ter especulado sobre a editora que viria a publicar a obra poética completa de manoel de barros, eis que vejo, com boa surpresa, que a quasi já chegou lá e que o livro pode ser, finalmente, apreciado pelo público português. manoel de barros é um dos meus poetas de eleição; um poeta com muitas fragilidades, mas também muito encanto, como acontece apenas a alguns.
não é coisa de ser perdida, este livro. anda por aí à venda, até na internet, aqui.
14.5.07
12.5.07
ontem fui muito bem recebido em são joão da madeira na belíssima livraria entrelinhas, pelo ricardo silva e pela cristina marques e também por três amigas que leram poesia (olá clara, obrigado pelo teu simpático comentário no post abaixo) e por uma plateia muito interessada e simpática. agradeço, assim, o convite e o cuidado posto na sessão. gostei muito de ter estado com gente amiga, no concelho mais pequeno de portugal. obrigado josé e teresa pela companhia no café, obrigado renato pelo jantar bacana, és um madeirense impecável
10.5.07
poema do amor sem reservas, eufórico e irresponsável, inspirado no projecto old jerusalem e, por isso, dedicado ao francisco
existe uma pequena entrada
no lado escondido da casa,
por onde me encontro com ela
para não prevermos a velhice e
todas as dificuldades da vida
existe um coração à pressa
onde pomos o amor, e à pressa
nem velhice nem coisa alguma
nos há-de encontrar. tão bem
escondidos, para lá da pequena
porta da casa, onde só eu e ela
sabemos entrar
existe um espaço ocupado na
minha mão, porque tudo quanto
agarre terá de deixar lugar para
o corpo dela. mais ou menos precise
de trabalhar, sem este toque os
dedos fecham, até a boca pára e
eu esboro para a terra do chão
no lado escondido da casa,
por onde me encontro com ela
para não prevermos a velhice e
todas as dificuldades da vida
existe um coração à pressa
onde pomos o amor, e à pressa
nem velhice nem coisa alguma
nos há-de encontrar. tão bem
escondidos, para lá da pequena
porta da casa, onde só eu e ela
sabemos entrar
existe um espaço ocupado na
minha mão, porque tudo quanto
agarre terá de deixar lugar para
o corpo dela. mais ou menos precise
de trabalhar, sem este toque os
dedos fecham, até a boca pára e
eu esboro para a terra do chão
9.5.07
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