25.3.08

amanhã começa o regresso. por esta noite, ainda o calor. o humano, porque o outro não é assim tão diferente que supere o sensível com as pessoas daqui. moçambique tem delicadeza, uma identidade bonita que nos emociona e nos dá as boas vindas. pelas ruas, entre quem vejo, descubro amores, muitos amores, âncoras seguras para cá voltar

21.3.08

maputo

durante uns dias estarei ausente.
verei maputo e espero fotografar para vos mostrar.
vou de ansiedade crítica. quero ir quero ir.
volto logo logo

20.3.08

ricardo serrano

por vezes, coisas importantes sobre amigos escapam-nos. a mim tinha-me escapado que o ricardo serrano criou um blogue. agora, ouvindo o que nos deixa ouvir, como pequeno vislumbre do que será o seu próximo disco, fico destruído de beleza. o ricardo serrano é dos compositores mais delicadamente melodiosos que conheço, capaz de suspender a respiração do ouvinte pela ternura que cria. em dadas alturas, tenho a sensação de seguir pelo som adentro, como meditando, inexistindo bastante e maravilhosamente. é até emocionado que vos aconselho a audição do seu piano, absolutamente imperdível

dia mundial da poesia

que por todos se crie uma palavra,
um verso à medida de cada um,
e de todos emane a celebração de quanto
existe, de bom e de mau, como só pela sua união
nos completamos e dizemos. digamos que por
todos se criou uma palavra, como se
um verso nascesse na medida de cada um,
pousado na mão, talvez, equilibrado entre os
dedos, brilhando, sem cair

nova página

ainda em construção, com conteúdos por completar, já pode ser visitada a minha nova página, da responsabilidade do nelson d'aires em www.valterhugomae.com

e espero que gostem ao menos metade do que gosto eu

19.3.08

leya outra vez

manuel alberto valente abandona a direcção editorial da asa, cargo que ocupava desde noventa e um. o grupo leya lê-se muito menos se não contar com o apoio deste profissional. o francisco josé viegas também se mudou como autor (e editor da babilónia) para a bertrand. estamos todos um bocado confusos com isto, mas é significativo que alguns homens fortes dos livros em portugal se demarquem perante a criação do novo império de pais do amaral. tenho muito carinho pelo manuel alberto valente, se não fizer mais nada, já fez mais do que o bastante pela literatura portuguesa. se houver novas ideias na costa, ficarei atento e preparado para aplaudir, como sempre

18.3.08

à luz da kabbalah

o livro «à luz da kabbalah» do meu amigo josé cunha rodrigues, é editado pela guerra e paz e pretende ser um guia espiritual, feito em português e por um português. tenho muito gosto em que um prefácio da minha autoria acompanhe o seu trabalho, pelo que lhe reconheço de honesta reflexão sobre as matérias mais insondáveis da vida. com pistas para o que pode ser uma vida melhor, este livro é, sobretudo, uma proposta de apaziguamento e de renovação de energias para quem possa querer exercer uma dimensão menos simples da existência.
o lançamento deste trabalho é feito no dia sete de abril no café in (lisboa), depois existem apresentações no dia vinte e cinco de abril, na fnac de braga, no dia vinte e seis, no clube literário do porto (onde estarei) e no dia dois de maio na fnac do norte shopping. estão convidados

17.3.08

exposição de rui effe na casa da juventude em esposende

articulações, sobre desenhos de rui effe

numa primeira aproximação, muitas das figuras de rui effe parecem vir daqueles bonecos de cartão que, com articulações de metal, movimentam membros e cabeça, cima e baixo e aos círculos. isto porque é frequente depararmo-nos com figuras cujos membros ou cabeça parecem jazer pelo chão como peças por montar na estrutura no corpo. esta é uma primeira impressão que ajuda a que só numa segunda camada de entendimento passemos dessa ideia, de alguma lúdica aparência, para uma interpretação mais correcta e gravemente mais violenta daquilo que afinal estamos a ver. é nítido que o que está em causa são figuras que apresentam algum tipo de deformação ou mutilação, numa intensa reflexão sobre a condição da diferença física, como um fascínio dotado de boa dose de medo. os excelentes desenhos de rui effe reflectem sobre a candura interior por oposição a uma acidentada forma. é como recorre muitas vezes a rostos e corpos infantis que querem aludir à esperança remanescente ou, então, já defraudada. isto vê-se como se effe mostrasse máquinas que se fizeram com defeito ou se avariaram, ficando jogadas para um canto sem saberem exactamente como agir, sem saberem o que lhes compete, afinal, na condição mais difícil com que se deparam na vida.

não há concessões. os corações são pretos e tristes. existem animais mesclados com as figuras humanas como se uns e outros fossem da mesma bestial qualidade. o definido de alguns membros não é acompanhado pelas proporções dos outros, criando aquela impressão de que quem não tem pernas muscula os braços, ou quem não tem braços muscula as pernas. existem, assim, elementos de perfeito trabalho físico, como apontamentos de beleza num corpo não totalmente completo, ou parcialmente imperfeito. tudo leva à ideia de o indivíduo ser, ao fim de contas, fragmentário e composto por realidades muito diferentes.

como um boneco, o homem é bicho de articulações estabelecidas entre medos e sonhos, entre braços, pernas e todo o espaço quanto ocupe. o homem é uma realidade só passível de ser aferida pelo recurso também ao subjectivo e até insondável, por se encontrar sem hesitação no complexo raio de ligações emotivas que, as mais das vezes, estão para lá do corpo, como um pé ou uma mão que se arreda e sabemos que, não podendo ser recuperados, farão sempre parte do indivíduo no que há de mais profundo na soma do seu ser