não sei por que raio me apanho ainda a ver destas coisas, mas fui ao star trek e saí de lá com menos cinco euros de frustração. de facto, não havia grandes razões para que esperasse ver um bom filme, mas o hype é do caraças e nós funcionamos - mesmo sem querer - com os hypes, como se fosse o estupor de um vírus duns porcos malvados. enfim.
o argumento básico e, como sempre, irrita mesmo é com aquelas coisas de filme para putos, que normalmente não se interessam pelos pormenores e atentam apenas no tamanho e na destreza das armas dos heróis. ora bem.
um.
há uma cena em que os mongos da enterprise precisam de aterrar numa plataforma esvoaçante que tem fogo no rabo e vêem-se aflitinhos para ali caírem de pára-quedas, vindos de um vai e vem daqueles pequeninos tipo bote de salva-vidas. um deles, prova de que o esforço é grande, até morre assim que chega à plataforma, porque não se segura e vai direitinho ao fogo no rabo e esturrica geral. ora, o que é espantoso é que, subitamente, quando em stress é necessário, os mongos sobreviventes falam para a nave e solicitam ser teletransportados. tunga. e vão parar direitinhos ao conforto da enterprise. depois, para a gente se rir, o spock diz, eu agora vou lá ao planeta dos spockianos porque quero salvar os meus pais e blá blá blá. e põe-se a jeito e é teletransportado para onde quer. foda-se. então não era preciso um pára-quedas e o perigo de morte de ir parar ao fogo no rabo e essa cena??? ai que caraças. então porque não teletransportaram logo os primeiros mongos para a porcaria da plataforma impedindo que um deles esturricasse e tudo?
ah, já sei, é que o rabo de fogo interferia com as cenas da nave e não dava para o truque. ou, por outro lado, é muito giro isto passar-se num ano estrelar não sei quantos mas depois, quando aquece, há que voltar a usar o corpinho e a força bruta como se fosse um rocky balboa a salvar o mundo.
dois.
o kirk, que é aparvalhado mas intuitivamente o maior, é mandado para um planeta qualquer todo gelado e vê-se ali sozinho, exilado. de repente, uns bichos mesmo muito muito zangados querem-no ferrar sem piedade e ele corre uns bocadinhos. aparece uma gruta mesmo a jeito, mete-se lá dentro e zás, o spock aparece com uma tocha e afugenta o monstro que tem muita garganta mas medo de um fósforo. agora, o interessante é que o spock é o spock futuro. o spock já com oitenta anos, e não o mesmo que ficara na nave e que expulsara kirk para o exilo. confusos? pois. quando o exilam, assim tipo, atirado para o espaço à sorte, ele tinha que ir dar logo logo ao lugar onde o futuro do spock penava como um grunho numa caverna gelada. caraigo. que tiro de sorte. e o spock, que diz coisas muito impressionantes, declara, há ali um lugar onde está um tipo que vai inventar a velocidade warp, mas ainda não sabe, e se a gente chegar lá ele põe uma nave a andar e tu podes voltar à enterprise e blá blá blá.
três.
saem os dois da caverna e vão ao encontro dessa cena e o caminho já nem parece longo, nem há monstros a chatear. que sorte. afinal aquilo é só frio, já não é muito perigoso. e quando chegam ao abrigo, está lá um totó que é inteligente mas não sabe, refastelado e com luz eléctrica e tudo. e a gente pensa, se o spock sabia daquela cena, por que raio estava numa gruta de gelo com uma fogueirinha pre-histórica a arder? hummm. deve gostar de ter o cu frio.
quatro
o spock mostra ao totó a equação que o totó inventou (???? quê? - pois, exacto, o totó inventou, mas precisa de ser o spock a vir do futuro para lhe dizer qual é - assim também eu) e lá se arranja uma navezita que serve para o resto do filme continuar nesta treta infantil com orçamento de gente grande.
olhem, querem saber que mais? esta coisa de menosprezarem o público achando que oferecerem um espectáculo de luz já basta, é nojenta. este filme, na verdade, só faz sentido para quem gostar de espectáculos de fogo de artifício, porque de resto é uma inanidade. devia ser projectado nas nuvens em noite de são joão. enquanto a gente come um gelado, os mongos davam o litro a fazerem de burros no céu