12.2.07


por vezes oferecem-nos flores que não sabemos agradecer, mas tentamos

10.2.07


o hoin tinha tirado uma fotografia muito mais fixe do meu boneco...

9.2.07


o antónio machado é o autor de três romances editados na quasi edições, dois ainda no meu tempo e um terceiro já mais recentemente: «moema», «conversas no extremo da mágoa» e «amores finitos» são os títulos dos seus textos densos e superiores. soube agora que tem uma página virtual para divulgação do seu trabalho, coisa que louvo e quero publicitar. gosto dos livros do antónio, espero que consigam, no tempo, a visibilidade que merecem e que na quasi nunca lhes conseguimos dar

migração


um dia também partirei com os pássaros

e saberei que amar-te

terá sido um instinto sazonal


este pequeno e belo poema é de uma moça de aveiro que se esconde sob o nome de inominável. é lindo de mais. por isso me sirvo dele para lhe agradecer o piropo. beijinho, moça de aveiro. obrigado. a imagem é de hoin (ver mensagem abaixo)

8.2.07

hoin

hoin é a assinatura do artista hugo borralho que faz umas peças sensíveis das quais sou admirador. conheci o seu trabalho através do mercado das artes e adquiri, em bom tempo, três dos seus presépios que usei de presente de natal para os meus irmãos. ontem, para meu orgulho e felicidade, os meus amigos do curso de escrita criativa da velha-a-branca (braga) ofereceram-me uma representação simpática da minha pessoa inspirada na pose erótica da capa do meu último livro. fiquei mesmo sensibilizado. adorei. agradeço a quem fez a oferta e a quem acedeu a criar tal objecto. valeu. está pomposo na minha árvore de memórias

momentos floribella, seis


cuidado com a delfina, querida, ela não é a tua irmã. raios te partam, flor, és tão crédula. não podes acreditar em tudo o que te dizem. a delfina e a bruxa mãe só querem o dinheiro do fred, não entendes? tens de fechar o teu coração a esses abutres. foge flor, foge. tu és linda, podes ser ainda muito feliz.
entretanto, fecha as pernas

(imagem do maravilhoso chris anthony)

7.2.07

livros de areia




nestes últimos anos (ano e meio, dois) surgiram alguns dos mais interessantes projectos editoriais do país. sempre fui fascinado por editoras pequenas e de atitude diversa, por isso, sou defensor incondicional da maravilhosa & etc., ou das edições mortas, frenesi, etc. além da excelente tinta da china, e da novíssima ovni, há um projecto que me merece, desde o início, uma atenção redobrada, a livros de areia. nascida em viana do castelo - trabalho duro de uns joão seixas e pedro marques -, esta editora é vertiginosamente competente na criação de objectos belíssimos, com os melhores papeis, o melhor design, as melhores ilustrações (até lá têm o joão maio pinto - fabuloso) e, mais importante, grandes textos. sugiro a passagem pela excelente página da editora.
autores carismáticos da casa: rhys hughes, jeff vandermeer, jerzy kosinski, bianca riestra, entre outros.
particularidade: não aceitam originais de poesia. boa

acabo de ver a astróloga maya (enfim) a dizer que o meu signo - balança - está posicionado no primeiro lugar da tabela das energias-não-sei-das-quantas, com a carta estrela do tarot a reger o meu dia. ui ui, diz ela que é o momento no qual se manifesta a importância de ter alguém ao meu lado e que, isto sim é relevante, hoje é o dia para avançar sem medos no plano afectivo: ou a declaração deve ser feita, ou devemos dar um beijo de uma vez por todas ou, quem sabe, até ir para a cama. não sei bem. mas tenho umas ideias para pôr em andamento cá umas coisas afectivas em que ando a pensar. sim sim. depois, se não der certo, peço um indemnização à sic por atrofiarem os espíritos pobres, como o meu, com estas tretas medievais. de todo o modo:
se alguém tiver ideias e quiser avançar, poderei apreciar a iniciativa. estás a entender????? faz lá qualquer coisa. eu também faço. podes crer

(a imagem roubei à maf martins do blogue diário de sombras)

momentos noticiosos, um

o engenheiro sócrates, odiado por todos os portugueses sem excepção, pisou um casca de banana à porta de sua casa e caiu nos braços do zinguré, acabadinho de chegar da guiné. o engenheiro, apoquentado com o que o estrangeiro iria pensar, disse, ui. depois, levantou-se num belo pé de bailarino e seguiu para o seu emprego com vontade de lixar um pouco mais as coisas. o zinguré, maravilhoso, sorriu e não pensou nada sobre as meias cor de laranja nem comprou a caras para saber quem é a fernanda câncio. o engenheiro, simpático, garantiu que nunca iria à guiné, coisa que descansou a população daquele país. os portugueses, fartos do sócrates, compram passagens baratas para a europa com a esperança tola de serem convidados para limpar casas de banho públicas nas melhores capitais de distrito

audiências

socorro, à hora do telejornal perco sempre audiências. as visitas ao meu blogue descem vertiginosamente. o que fazer para combater este duro golpe, pergunto. já não bastava a floribella, e a necessidade de combatê-la com estes momentos estranhos, vou ter de passar a momentos noticiosos e serei impiedoso

6.2.07

momentos floribella, cinco


aqueles putos de que tomas conta, esses muito chatos, parecem fósforos apagados sem prestação. gostava de os molhar no fontanário, como nas estúpidas praxes académicas, e esquecer-me deles no jardim até que esfriem infinitamente com este inverno dum cabrão

(imagem do maravilhoso chris anthony)

5.2.07

momentos floribella, quatro


menti-te. talvez não esteja tão seguro sobre as coisas do amor quanto te disse. mas isso não implica que devas baixar a guarda em relação à bruxa da delfina. prefiro acreditar que vais ser capaz de lhe espetar a espada de madeira no coração e secá-la ao sol como um pano de cozinha. é isso que precisas de fazer. e não te preocupes com a possibilidade de o fred te ver. ele vai adorar que venças a guerra. és mais bonita, és do norte, deves ser muito melhor na cama. e não queiras fazer lembrar-me dos nossos tempos. invento de conta que nunca estivemos. sim. é um modo de ser só teu amigo. não quero ser mais nada. mesmo mais nada. quero estar livre intensamente para quem me quiser vir buscar. só precisa de dizer que veio para isso mesmo, buscar-me. e seguirei sem resistência, convicto de que o meu tempo de ser feliz começou

(imagem do maravilhoso chris anthony)

momentos floribella, três


floribella, querida, também eu estou farto de quem, por orgulho, não me quer amar. é verdade. estou farto de quem não se verga ao peso do coração. porque haverei de ser sempre eu a fazê-lo, pergunto-te. não o faço nunca mais. ao menos, não enquanto me doer.
a delfina, rapariga, é que tem razão. pensa só no dinheiro. é boa como o milho e come-os a todos. devias ser um pouco mais assim, floribella. eu também. vou ser insuportavelmente assim. à procura de dinheiro e mais nada.
estás com um penteado novo, ou é impressão minha. fica-te bem. vai ser interessante sair contigo esta noite. a ver se te pegam os adultos, que de tanta chavalada já deves andar com a mania da maternidade e isso, vade retro, é que não

(imagem do maravilhoso chris anthony)

4.2.07

momentos floribella, dois


querida, estou a dizer-te de coração. o mais certo que tens a fazer é agarrares-te a ele, de vez por todas, e esqueceres isso de andarem sempre às turras. e não te queixes de ele ser tão feio. deixa lá. podia ser-te bem pior o destino. baixa a saia, não insistas. não vou fazer-te um filho para te vingares da outra. e depois, ter um filho é um acto de grande responsabilidade e eu não queria que escolhêssemos o aborto algum tempo depois. sim, eu sei que abortar vai virar moda, e ficarei invejoso de não estar envolvido nisso, mas não quero, por um capricho que possamos ter agora, recorrer aos hospitais públicos para nos ajudarem, porque, de todo o modo, são hospitais portugueses e o mais rigoroso é tentarem matar-nos de qualquer maneira. estás a imaginar-me tão na flor da idade e enterrado no cemitério de vila do conde. que desperdício. tenho ainda tanto para fazer. amanhã, por exemplo, vem cá um amigo de infância. poderei passar horas a lembrar onde era a casa da professora da escola primária e onde gaudávamos o lanche da nossa amiga gordita. vou divertir-me tanto. não tenho hipótese de me ocupar agora com os pormenores da tua desilusão com o amor. vai. voa voa

(ilustração do maravilhoso chris anthony)

3.2.07

momentos floribella, um


a floribella veio cá a casa pedir-me para casar com ela. dizia, valter, por favor, não aguento mais o frederico, ele tem cabelo cor de cocó e preciso tanto de voltar para o norte. e eu disse-lhe, rapariga, ganha tento, com essa saia murchas-me as flores todas, até as que deus melhor me regou. e depois, dei-lhe cinquenta escudos, pensei, não tens nada, nem dinheiro, nem ouro, toma lá uma moeda com algum orgulho nacional a ver se te avias ali para os lados dos pescadores. com alguma sorte embarcas numa traineira e és feliz pendurada no mastro.
sabes, floribella, estou cansado de estar aqui à espera que me venham convidar para casar, e agora, assim como assim, apetece-me ser eu a dizer que não. por isso, volta lá para lisboa e enxuga as lágrimas. hás-de ter muito quem te coma. não precisas de mim para nada, minha querida. eu continuarei a ver-te atentamente. a sério, não perco nada, sou teu fiel seguidor, mas sem essa de amar e casar para sempre. vai. voa voa

(ilustração do maravilhoso chris anthony)

2.2.07

sexta feira à noite, um frio de rachar. estou ainda sem grande prestação. presto pouco. espirro. coisa que faz o coração, sozinho, muito sozinho. amanhã era bom que batesse o sol assim de mão cheia. a doer. a queimar. para queimar pontos negros. como a abrir clareiras nas florestas. só amanhã, para me entreter a espera

1.2.07

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o meu novo livro pode já ser comprado na livraria poetria (rua das oliveiras, 70 r/c, loja 54050-448 porto - que é a rua do auditório carlos alberto). outras livrarias parceiras da cosmorama podem ser descobertas no blogue da editora.

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prémio de poesia guilherme de faria - 2007

regulamento
1. no contexto do centenário do nascimento do poeta guilherme de faria a cosmorama edições institui anualmente o prémio de poesia guilherme de faria.
2. o prémio é atribuído na modalidade de poesia, visando estimular a criação poética e, em especial, o aparecimento de novos autores.
3. são admitidas a concurso exclusivamente obras inéditas em língua portuguesa, com o mínimo de 20 [vinte] páginas.
4. o prémio consiste na edição da obra premiada pela cosmorama edições.
5. as obras concorrentes deverão ser enviadas para prémio de poesia guilherme faria, rua nossa senhora da paz, 90 – 4470-804 maia, até ao dia 30 de junho de 2007.
6. para efeito de atribuição do prémio, será constituído um júri composto por três elementos a determinar.
7. o júri pode propor a não atribuição do prémio por falta de qualidade das obras concorrentes e não pode atribui-lo a mais do que uma obra.
8. os trabalhos concorrentes, de que deverão ser enviados 3 [três] exemplares; serão assinados com um pseudónimo e acompanhados de um envelope lacrado contendo a identificação do autor e os dados para contacto.
9. os exemplares dos trabalhos não premiados não serão devolvidos, sendo destruídos 30 [trinta] dias após o anúncio dos resultados.
10. os resultados serão publicados na comunicação social e disponibilizados no site da editora no dia 6 de outubro de 2007.

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saiu o primeiro número da revista obscena, um projecto editorial independente dedicado às artes performativas. coordenada por uma equipa de críticos (ver ficha técnica no fim do texto) a revista terá periodicidade mensal estando apenas disponível para download em pdf no site www.revistaobscena.com.
nas suas várias secções publicará notícias, reportagem, entrevistas, críticas, artigos de opinião, ensaio e fotografia, equilibrando temas da actualidade nacional e internacional a revista quer contribuir para a promoção do diálogo e da discussão sobre as várias disciplinas artísticas nas suas diferentes fases de trabalho, através de textos assinados por críticos, investigadores, jornalistas, programadores e criadores portugueses e estrangeiros que também reflictam acerca do contexto onde estas se inserem.
o primeiro número, correspondente ao mês de fevereiro, traz um dossier sobre a realidade cultural do irão, cruzando os olhares da coreógrafa alemã helena waldmann e do encenador iraniano amir reza koohestani, com os da crítica local kathy salmasi e da jornalista margarida silva lopes. aborda ainda o teatro do alemão thomas ostermeier, conversa com o encenador libanês rabih mroué e o antropólogo andré lepecki, e visita o pavillion noir, o novo centro coreográfico nacional em aix-en-provence, dirigido por angelin preljocaj. dá ainda espaço à dramaturga regina guimarães para falar sobre o sentido de ainda se fazer teatro no porto, e à crítica e investigadora búlgara kalina stefanova que pergunta se a crítica teatral pode ser pós-dramática. isto para além das colunas de opinião, críticas a espectáculos, livros e dvds, e a aposta no filme body rice, de hugo vieira da silva, num total de cem páginas e quase quarenta artigos.
nota: todas as informações consideradas relevantes devem ser remetidas para o e-mail obscena@revistaobscena.com até dia 08 de cada mês.
revista obscena
editor: tiago bartolomeu costa
editores associados: jorge louraço figueira, miguel-pedro quadrio e mónica guerreiro
colaboradores: bandeira, rui monteiro, josé luís neves e pedro manuel
design: tiago rodrigues
mais informações:
tiago bartolomeu costa (editor): mailto:tiago.bartolomeu@sapo.pt

31.1.07

o quê

em frança surge mais uma ideia brilhante, uma equipa de futebol gay. o quê, devem estar a perguntar. isso mesmo. imagino que devam escolher os jogadores pelo porte atlético, depois, devem pô-los a lamberem-se uns aos outros para darem provas de que são de facto o que dizem ser e depois, mas só depois, metem-nos no campo a correrem atrás da bola. há qualquer coisa aqui que me escapa. eu julgava que para jogar futebol, e em princípio jogar bem, não se perguntava exactamente ao desportista se dormia com o amigo ou com a amiga, mas ao que parece esta gente iluminada entende que o sexo pode e deve estar na base de todas as descriminações. se isto fosse feito por motivos folclóricos, muito bem, porque cada um lá se deve entreter com o que lhe aprouver, mas por desporto, a sério??? parece-me uma iniciativa verdadeiramente homofóbica, capaz de mostrar a homossexualidade como uma belezazinha digna de jardim zoológico. estou a ver os parisienses que gostam de futebol dizer: vamos ao jogo do paris foot gay, eles jogam tão bem, deve ser porque se lambem todos antes de entrarem no campo

30.1.07

estou com aquela gripe da moda de que se fala na televisão. febre acima dos 39 e muitos delírios, com os quais me vou entendendo com alguma piada. de sexta até hoje, e parece-me que com direito a extensão até amanhã, só caminha e mais nada. estou farto, sim, e estava há tanto sem ver emails e blogues e gente na rua, que tive de sair por meia hora. obrigado a quem aqui passa. mais tarde responderei ao que me houverem perguntado ou precise de agradecimento personalizado. cuidem-se, é que com gripe nem ficamos bonitos de sermos vistos nem nada (enfim, embora tenha emagrecido dois quilos, o que é sempre agradável)

26.1.07

não sei fazer aquelas ligações bonitas para os videos do youtube. mas tenho de vos pedir que vejam o absurdo do discurso de um tal (puta que pariu) josue yrion, pastor (puta que pariu), sobre a disney e o satanismo (puta que pariu). a minha opinião, que é só a opinião de um leigo, é a de que um discurso destes aponta para uma psicopatia aguda, capaz de ver no rabo de cavalo da barbie uma mensagem satânica enviada aos extraterrestres do desprezado plutão (puta que pariu). só me apetece dizer palavrões. desculpem, mas assim não dá mesmo

coisas para uma felicidade inteligente

«Michael Cashmore - The Snow Abides
The new mini-album from Michael Cashmore, with guests Antony and David Tibet.
We are delighted to announce the release of ‘The Snow Abides’, the new solo mini-album from Michael Cashmore. This release comprises five thematically linked songs: all vocals are sung by Antony, all song texts are written by David Tibet, and all music is composed and played by Michael Cashmore.
Available from www.jnanarecords.com
‘The Snow Abides’ is Michael’s most accomplished and poignant work to date, solo or otherwise.»

o michael cashmore tem sido fundamental no brilhantismo da carreira dos current 93, acompanhado pelo antony torna-se ainda mais deslumbrante
para agradecer a todos quantos ontem à noite transformaram a noite no teatro do campo alegre em algo de muito especial. muito obrigado. estou profundamente sensibilizado

25.1.07

esta manhã, dois pássaros vieram conversar no parapeito da minha janela. com o tempo, em silêncio, percebi sobre que discutiam. fiquei espantado. nunca pensei que no inverno pudessem vir acusar-me de voar menos. ser menos visto entre as nuvens. estar tão cá em baixo, com os pés pousados no chão. afugentei-os com uma mão no ar. prefiro ler o jornal e apreciar a margarida, as suas pernas longas, o modo bonito como se debruça na mesa do café para pousar o tabuleiro com o pequeno-almoço

23.1.07

pornografia erudita

um
chama-se pornografia erudita o meu novo livro de poesia. editado pela cosmorama, será colocado à venda na noite de quinta feira, a partir das 21.30h, no teatro do campo alegre no porto.

dois
na quinta feira à noite, a partir das 22h, realiza-se o espectáculo, com o mesmo nome de pornografia erudita, inserido no ciclo quintas de leitura. os bilhetes estão esgotados.


três
a circulação deste livro será algo complicada. a cosmorama está em remodelação do seu sistema de distribuição, pelo que não prefiguro uma distribuição nem rápida, nem abrangente. e isso está muito bem. quem quiser adquirir o livro poderá entrar em contacto com o editor e encomendá-lo via correio.

quatro
o espectáculo do campo alegre conta com a surpresa do lançamento do primeiro disco a solo do paulo praça (plaza). o primeiro single está escolhido e entregue às rádios para tocar a qualquer momento. chama-se a verdade e, como todo o disco, tem letra da minha autoria.

cinco
o josé rui teixeira, editor da cosmorama, tem tomates, que é como quem diz, tem ética. há coisas perante as quais não devemos recuar. era só o que faltava.
a cosmorama conta no seu catálogo com autores como jorge melícias, agustina bessa luís, miriam reyes, silvia chueire, antónio ramos rosa, carlos alberto braga, isabel coelho dos santos, hilde domin, rui amaral mendes, josé félix duque, etc..

seis
a fotografia da capa do livro é do nelson d'aires.
sete
as quintas de leitura agora têm um blogue: http://quintasdeleitura.blogspot.com/, administrado pelos grandes joão gesta e patrícia campos.

22.1.07

fiama hasse pais brandão

um dia, o jorge disse-me que poderíamos visitar a fiama quando fossemos a lisboa. fiquei ansioso pela oportunidade de estar com quem tanto admirava. aconteceu numa tarde em que chegámos para uma sobremesa bonita e ela estava muito bem disposta. foi quando nos cedeu o livro «fábulas» para primeira edição na quasi. explicou-nos porque tinha um pequeno quadro da paula rego, muito antigo, ali pousado no sofá. explicou-nos porque a fruta que se via no seu jardim era tão grande. disse que queria rever toda a sua obra e que estava com vontade de pôr mãos ao trabalho. poucas semanas depois a sua doença agravou-se e deixou de comunicar. lembro-me de ir vê-la ao hospital, num fim de tarde. o meu pai havia morrido pouco antes. saí de lá a chorar. senti uma familiaridade estranha com a fiama. pedi ao gastão que lhe desse um beijo meu e que lhe dissesse, num momento de lucidez, que ela era para mim muito importante. estava errado. ela não era, ela é. aquelas coisas que só nos aparecem nítidas quando as situações exigem que os nossos sentimentos se expliquem. durante este fim de semana, a fiama foi morrendo. hoje, renasce, porque os poetas são eternos e ela brilha
«O Presidente da República ama-nos
O primeiro-ministro sacrifica-se por nós
Sacrificai-vos vós também
E será vosso o Reino dos Céus»
A. Pedro Ribeiro

19.1.07

este é o dia de aniversário da minha mãe, a pessoa mais importante do mundo. o papa, por exemplo, à beira dela, não vale nada, é menos do que o cabelo de um rato zingão apanhado de surpresa pela vassoura da mulher da limpeza do restaurante ali da esquina. isto para que vocês, que não conhecem a minha mãe, terem a noção da importância que ela tem. e para se unirem a mim nestes parabéns a você que me enchem o coração de emoção
no mais triste dos poemas o poeta tem
de morrer por amor. assim me despeço
de ti, só de ti, de modo breve e definitivo,
permitindo que sobre mim cresçam ervas
e mais tarde se afundem as raizes das
árvores mais eternas. no mais triste dos
poemas teria de estar eu, terias tu de
faltar, para que o meu amor, e eu morrer
por ele, fosse só uma dor minha, uma
dor em vão, fugaz tolice para enternecer
o meu sempre abandonado coração

imagem de rui effe

18.1.07

não estou certo de nada. gostava, contudo,
de acreditar que existes, para te esperar sem
angústia, talvez pôr a música mais baixo, ouvir
os vizinhos a conversar, preparar coisas para te
dizer, ler um livro, vestir-me. gostava de ter
por ti um amor convencional, sem ter de o
imaginar. com um jantar pelo meio, um passeio
no mais popular do parque, a ver cisnes e a
fugir dos cavalos. mas não estou certo de nada, e
mais fácil é fechar as portadas, escolher um cobertor
quente e fazer com que vente mais e mais lá fora

imagem de rui effe

17.1.07

se te cansares de mim, não me peças que
chore. deixa-me secar lentamente como
pelo tempo, mais me custará, porque mais
lento verterei a alma para a morte. no entanto
dá-me esperança de que não partirás,
aguardo-te muito quieto, muito quieto
para não atrapalhar os teus planos como quem
não quer assustar a caça. mas sou a presa,
eu sei que sou a presa. e tu podes vir reclamar-me
o couro com toda a violência, já não me importo
imagem de rui effe

16.1.07

não te acusei de nada, talvez me tenhas
entendido mal. disse apenas que estou
de coração fechado para um amor eterno,
prefiro paixões intensas e passageiras que
me possam até matar de súbito, mesmo sem
querer. não sei por que razão fiquei
assim, sem medo, sem nada a perder.
espero que possas aceitar o que te digo e
investir tudo sem reservas, consciente de
que investes em algo que até pode perdurar
mas anseia cruelmente pelo efémero

imagem de rui effe

15.1.07

deixei sobre a mesa o dinheiro que
necessitas para o dia. espero que te
sirva para o almoço e para qualquer
coisa ao lanche. desculpa. amanhã, como
é domingo, venderei os pães na igreja,
quem sabe me dará deus valor suficiente

para manter o amor. se amanhã houver
mais dinheiro, mais um pouco que seja,
compro o teu prato, os teus talheres,
um copo onde te sirva a água simples.
volta cedo, peço-te, volta cedo, como
não sei nada sobre decisões divinas
quero só não perder-te em tempo
além do impossível. vem comigo ver
o que é feito dos gatos que deitamos ao
campo. achas que estarão gordos ou
terão morrido. eu acho que estão gordos,
se deus quiser

imagem do rui effe

14.1.07

acabei de notar que trazes um olhar novo
na descabida esperança de ficares para a noite,
mas não pode ser, prefiro que sigas pelo escuro
cerrado, que arrisques até a vida na passagem da
ponte, que arrisque eu não voltar a ver-te, porque
esta noite devo fazer nascer um coração nos pés
para os magoar. quero fazer nascer um coração
nos pés e aguardar quem venha frio e se queira deitar
comigo. quero suportar a morte na minha cama,
como quem a partir dela começa a amar

imagem do rui effe

12.1.07

ovni


as três capas e as três demos dos três livros editados pela nova ovni. a página da editora está aínda em construção, mas a estratégia de promoção é muito boa. vejam melhor: «existe um homem que costuma dar-me com um guarda-chuva na cabeça» aqui, «o som atinge o cimo das montanhas» aqui, e «estórias domésticas» aqui. a de cima tem de ser a melhor capa do mercado em muito tempo

11.1.07

joão m

o joão m do blog um amigo pop é das pessoas mais fantásticas que conheço. reconheço-lhe a humildade, a generosidade, a bondade, a impressionante capacidade de ser um humanista a toda a linha. joão, é só pena que vivas tão loge, nessa selva quase toda benfiquista e não possas juntar-te mais vezes à malta para conversas bonitas sobre música. os teus pais, juro-te, deviam sentir um orgulho incomensurável por ti. diz-lhes isso. que eu disse. abraço

nemporisso@portugalmail.pt

não é que não queira falar com quem se liga ao meu msn, mas é verdade que estou muito pouco tempo online e não posso ligar sempre a máquina monstruosa das conversas. por outro lado, é engraçado agora verificar que a maior parte das pessoas que aceitam o desfio de me adicionar são:
1.º fodidos pelo sócrates em geral;
2.º rapazes que escrevem poemas e querem que eu os leia;
3.º gente amiga que vou conhendo melhor e por quem vou nutrindo franca admiração (corpo visível, olá);
4.º mulheres que me assediam sexualmente;
5.º homens que me assediam sexualmente;
6.º indiferenciados que não sabem o que querem;
7.º suicidas;
8.º distraídos, adicionam-me mas não se lembram por quê, não sabem quem sou quando finalmente coincidimos e lhes digo, olá;
9.º cantores líricos;
10.º espanhóis;
11.º empresas transportadoras;
12.º hermafroditas da baixa da banheira;
13.º raparigas que escrevem poemas e querem que eu os leia;
14.º livrarias;
15.º pacientes de hospitais psiquiátricos;
16.º violadores;
17.º violadoras;
18.º políticos violadores;
19.º industriais do petróleo;
20.º cavacos silvas.
venham mais cinco, de uma assentada, e sejam simpáticos, acusem a que categoria querem pertencer, mesmo que apresentem proposta para nova entrada. terei muito gosto em ir actualizando o top 20.

odd nerdrum






odd nerdrum é indubitavelmente um dos meus pintores favoritos. a utilização do seu «man in a boat» no cabeçalho deste blogue é só a declaração de amor que faço à sua obra, com a esperança de que seja melhor conhecida entre nós.
cristininha, nem é tarde, nem é cedo, é já. eis mais algumas imagens do odd, e através desta ligação poderás ver o resto





10.1.07

já vos posso dizer que ontem se passaram sete anos desde a morte do meu pai.
não me aconteceu nada de marcante. o sexo, a viagem, o trânsito, não almoçar, dor de cabeça, pouco dinheiro nos bolsos, coisas vazias por toda a parte. costumava achar que estes dias seriam como portas. lugares de passagem para descobertas únicas. porque merecemos que alguém de confiança do lado de lá nos dê esse tão ansiado privilégio. mas nada. pessoas e mais pessoas. ninguém verdadeiramente consequente. apenas cabeças confusas em busca de maior confusão ainda

8.1.07

este senhor era o avô do meu amigo alexandre. faleceu na distante cidade de niterói, do lado de lá da baía de guanabara, que inunda parte do rio de janeiro. estive na sua casa durante um mês no ano dois mil, recebido de modo tal que, agora quando me dão a notícia, não é possível de impedir que os olhos se alaguem e a vontade queira o tempo a andar para trás. o senhor josé era muito boa praça. um homem raro que se acendia pela alma numa intensidade que nos ensinava muito sobre ser-se digno. era um homem bonito e havia nele muito de meu avô também

sete, como se amanhã morresse e a minha vida se resumisse a isto

sete discos
«college tour», patty waters
«thunder perfect mind», current 93
«love's small song», baby dee
«o.d. rainha do rock'n'crwal», mão morta
«the lake», antony and the johnsons
«the singer», diamanda galás
«the quintessencial», billie holiday

sete livros
«o processo», franz kafka
«o estrangeiro», albert camus
«o festim nu», william burroughs
«os cantos de maldoror», isidore ducasse, conde de lautréamont
«poesia toda», herberto helder
«moloy», samuel beckett
«cartas de amor», atribuído a mariana alcoforado
sete filmes
«lágrimas e suspiros», ingmar bergman
«pai e filho», alexander sokurov
«adeus a matiora», elem klimov
«não te mexas, morre e ressuscita», vitali kanevsky
«brincadeiras perigosas» - michael haneke
«o navio», federico fellini
«aguirre», werner herzog


sete mortos
cristo
aleister crowley
franz kafka
nefertiti
francis bacon
marquês de sade
isidore ducasse, conde de lautréamont


sete vivos
charles manson
ingmar bergman
manoel de oliveira
odd nerdrum
werner herzog
caetano veloso
victor rios


sete lugares
angkor vat - cambodja
machu picchu - peru
petra - jordânia
templo minakshi - índia
lago tjörninn, reykjavik - islândia
jerusalem
pitões das júnias - portugal

7.1.07

aborto sim
aborto sim
aborto sim
aborto sim
aborto sim

o abade, uma ilustração de bruno santos que adoro

a palavra chave é aparat

6.1.07

a. pedro ribeiro

está vivo, porra, está vivo
algo por que ninguém esperava pode ter acontecido. são quase seis horas da manhã, penso se aconteceu ou não

5.1.07

em busca de pessoas perdidas, um

na escola primária, em paços de ferreira, fui colega de carteira de um rapazito que, por quatros anos, foi meu bom amigo. chamava-se joão luís neto nunes. quando iniciei o antigo ciclo preparatório nunca mais o vi. por vezes, e porque a infância em paços de ferreira meu vai marcar para sempre, lembro dele, ou da existência muito apagada dele. não vejo o rosto. não tenho noção de como seria.
por piada, ocorreu-me colocar aqui o seu nome. se alguém souber que foi feito de tal cachopo, avise-me, por favor. ofereço um livro a uma qualquer pista decente.
ah, dados que possuo: o nome, que já sabem, terá agora por volta de 35 anos, como eu, vivia na rotunda onde antigamente ficava o banco, hoje é uma rotunda de prédio novos, todos espelhados e parolos. acho eu. lembro-me de que era tímido. bom rapazito. não se metia em confusões. como eu

4.1.07

onde está aquela coisa branca, estarei eu




anthony goicolea





não conhecia o trabalho de anthony goicolea, mas tendo visto a referência no l'avion rose (onde encontrarão melhor informação), fui pesquisar a página do artista e adorei completamente.
deixo esta mostra sobretudo para vos dar as devidas ligações com a intenção de que vejam mais e partilhem comigo este bom entusiasmo

3.1.07

deixem-me comer isto

é o título de mais uma noite de escritura pública/deposito legal (ciclo de leituras, performances e conversas em torno de temáticas literárias).
acontece a 10 janeiro, quarta-feira, 21h30, no café concerto da casa das artes de vila nova de famalicão.
o convidadado:
francisco josé viegas será um dos mais leais interventores do panorama literário nacional, capaz de gerir um percurso de ímpar sucesso crítico e popular quer na ficção, quer na poesia, enquanto desempenha um activo papel na imprensa. sobremaneira conhecido pela responsabilidade e apresentação de programas de televisão e rádio para divulgação dos livros e seus autores, não pode, no entanto, ser ignorado enquanto autor de obras como longe de manaus, lourenço marques, metade da vida, etc..a sua presença nas noites de escritura pública permitirá um contacto privilegiado com uma das figuras mais incontornáveis da cultura portuguesa actual, possibilidade de descobrir francisco josé viegas enquanto escritor, jornalista, gourmet ou actual director da casa fernando pessoa.
deixem-me comer isto
vídeo: marco oliveira;
performance: pedro frias;
conversa: filipa leal, francisco josé viegas;
leituras: isaque ferreira, joão tiago martins e isabel guimarães;
performance musical: blandino

2.1.07

quando for grande quero ser

santo
é verdade. era o que imaginava de mim quando tinha os meus seis ou sete anos. enfim. entristeciam-me todas as coisas do mundo. as pequenas e as grandes. e tentava protegê-las para absurdo do meu tão frágil corpo
respondido ao desafio que me fez a teresa, passo-o ao corpo visível, ao alexandre do segundo andamento e ao ricardo do vidro azul. quero saber

rosemary laing


colocar um post às cinco da manhã, só porque me lembrei de um amigo que me mostrou a rosemary laing e porque ao nascer do sol me vou sentir no céu, atingido entre as pombas, caindo sobre as coisas mais intransponíveis do solo.
a vida, meu caro amigo, é uma morte contínua e mais nada.
vou ali e já não venho

1.1.07

interlúdio, para começar o ano do nível zero

a floribella e o noddy
foram os dois passear,
a floribella,
obviamente,
teve a culpa
e o noddy foi ao ar