17.1.05

michael haneke, «a hora do lobo»

«a hora do lobo» não foge muito às intenções constantes que haneke tem de nos - a nós, espectadores - fazer sofrer. no entanto, ao invés de nos infligir o mal através de uma crueldade perfeitamente identificada, ele expõe uma violência que se vai explicando mas que nos afecta mais pela lentidão da sua ocorrência do que pela inevitabilidade da tragédia. a lentidão - uma certa pormenorização da prática do mal - já é característica comum do seu trabalho, mas não através de uma estratégia que nos entristece mais do que nos choca ou enfurece. este «a hora do lobo» poderá estar mais ligado a métodos que lars von trier também usa, nomeadamente nos filmes «ondas de paixão» e «dancer in the dark». de facto, o que está em causa é tornar o filme insuportável para o espectador do ponto de vista emocional, na sua acepção mais literal. o distanciamento do espectador em relação à história torna-se difícil, e esse é o risco dos tolos, dos que se esquecem que assistem a uma ficção e se deixam conduzir pela mão perversa de um realizador - magnífico - que gosta de nos magoar

4 comentários:

  1. Recomendo vivamente o filme Brincadeiras Perigosas (Funny Games)deste realizador.

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  2. valter, espero que o teu seguro te dê cobertura contra insultos:) paulo ferreira

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  3. são apenas as impressões sensoriais, mal ou bem interpretadas, com base nas esperanças, desejos e emoções de quem as percepciona, geralmente carregadas de sentimentos positivos, que poderão fazer correr o risco de materializar a ilusão.

    e não será isso um desafio?

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  4. Torcer o espírito do espectador até ao limite do insuportável, até a ficção se assemelhar à realidade que é mostrada. Haneke é assim. Há pouca vontade de ver os filmes dele, mas quando finalmente nos decidimos, levamos um soco no estômago. O "Brincadeiras Perigosas" é muito bom.

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