21.12.04

nove concertos

mão morta, auditório do parque de exposições de braga, vinte e nove de abril
apresentação da digressão de promoção do cd ‘nus’. a prova cabal de que se trata, ainda, da melhor banda rock portuguesa de sempre. a única que, a nível mundial, compete com o que de mais relevante acontece.

baby dee, teatro ibérico, lisboa, dez e onze de setembro
duas noites inesquecíveis, com esta senhora a criar, sozinha ao piano, a intensidade dos melhores bergmans, como se o bergman fosse só som; loucura e som. uma alma estranhamente cândida e perversa. jean genet na sua plenitude. o esplendor de se ser tudo ao mesmo tempo.

current 93, teatro ibérico, lisboa, dez e onze de setembro
os místicos current, cada vez menos místicos e mais melódicos, em duas noites de baladas e tristeza, à procura de um lugar para um gótico folclórico antigo e particularmente sensível. muito literário, o ambiente, muito texto, muita coisa para dizer. muito bom.

sufjan stevens, teatro antónio lamoso, santa maria da feira, um de outubro
afinado, suave, perfeito. o elogio da melodia e da voz. um canário. canta melhor do que nos discos, o que é raro acontecer nos dias que correm.

devendra banhart, teatro antónio lamoso, santa maria da feira, dois de outubro
tenho a firme convicção de que devendra é um génio moderno. um génio da música do nosso tempo. imaginei mil coisas sobre como seria um concerto seu, nenhuma correspondeu à maravilha que fez em santa maria. os génios terão de ser mesmo assim, além do que pensámos deles, além do que julgamos saber.

von magnet, teatro miguel franco, leiria, dezasseis de outubro
flamenco visceral e negro. um flamenco electrónico mas inteligentemente pontuado com a tradição. p. von inesquecível, a dançar como os cavalos correm.

xiu xiu, auditório velho do orfeão de leiria, leiria, trinta e um de outubro
apaixonado e impaciente, jamie stewart é um dos meus músicos mais adorados. em palco é tudo o que o caracteriza sem limites, temperamental, histérico, angustiado, só, profundamente triste.

antony and the johnsons + cocorosie, teatro passos manuel, porto, oito e nove de novembro
o antony é um dos melhores compositores do novo blues (para mim aquilo são blues), e indubitavelmente a voz mais urgente do mundo. obsessivamente adorável. perfeito. as cocorosie são como cozinheiras em palco. cheias de parafernália sonora comprada nas melhores lojas dos trezentos. além do repertório belíssimo, são divertidas e surpreendentes em palco.

lhasa de sela, casa das artes, vila nova de famalicãoa rouquidão e o tango, o choro, a sapiência das histórias. maravilhosa esta senhora, como um clássico vivo e por consumar

1 comentário:

  1. trouxe-me um click digital ao teu quadrado de osso, cravejado de letras em vibração. entre os sons e lugares de papel que habitam esta casa, deixo aqui um rasto de grande sintonia musical-literária-mística. creio que a partir de hoje criarei o hábito da visita.

    ResponderEliminar