23.2.07

os dias de um génio

eu amo o zeca afonso. há nele tudo o que me seduz num ser humano e num artista. hoje, vinte anos da morte dele, estou convencido de que foi um génio e de que a mim compete apenas regozijar pela dádiva de existirem homens assim. homens que deixam uma herança inestimável a todas as pessoas do mundo

8 comentários:

  1. Neste mundo infestado de "padrinhos" e de "mafias" faz falta uma voz assim: independente, satírica, crítica ao "sistema"...

    Como político teve os seus "excessos" (como no 25 de Novembro...) mas no cõmputo geral deixou um saldo de legitimidade moral muito acima da mediania.

    Como músico deixou uma herança muito válida e... "pesada"...

    www.rouxinoldebernardim.blogspot.com

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  2. o Zeca é imortal

    ainda tenho gravada na memória o dia que o vi e ouvi no coliseu do Porto

    e sim Zeca, sempre


    Poeta um abraço para ti hoje, o dia é especial

    lena

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  3. Cresci a ouvir o Zeca Afonso..
    É com muito carinho que recordo as suas músicas..

    Beijinhos

    ;0)

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  4. "Era um redondo vocábulo, uma soma agreste..."

    O legado do indivíduo ultrapassa em muito a ideia com que dele ficamos ao ler as paloncices nos jornais. Ainda ontem li um comentário ao profundo "sentido harmónico" que o Zeca tinha, quando o próprio dizia que a instrumentação, consequentemente a harmonização, era o aspecto da criação musical que menos lhe interessava. É natural, dado que não tinha formação académica em música. O que ele tinha era um profundo sentido melódico. Minudências, talvez. Sim, mas os detalhes são importantes.
    Igualmente constrangedora é a abordagem do ponto de vista ético. Insiste-se na imagem dos "valores," da militância abnegada, enfim, a imagem laica da caridade, o indivíduo que age PARA os outros, porque as pessoas são incapazes de pensar a acção ética como algo que não precisa de uma transcendência. Sempre têm de lá meter o Deus, nem que seja na forma do valor ou do dever.

    A indiferença é tal que se chega ao ponto de citar frases do póprio que negam ponto por ponto tudo o que sobre o indivíduo, ou a sua ética, é afirmado. O Zeca pensava que a acção ética se funda na relação, que não precisa de nenhuma transcendência, seja em Deus ou nas suas formulações laicas. Não é caridade, não é solidariedade, pois estas implicam a hierarquia: aquele que leva a luz aos que não a têm.

    Reparem que nas canções do Zeca não temos as formas tradicionais do discurso político, não há "vontade do povo," não há um sujeito unificado nem um partido que seja porta-voz da história. Há apenas "a malta," coisas que mexem, desassossego, movimento. Há cooperação, e não solidariedade.

    Já vai longa a delonga,

    Abraço

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  5. Outra coisa só:

    Ao contrário da "ideia" comum: O Zeca não era um cantor "de" intervenção. Dizer isso é dizer dois disparates.

    a) toda a obra de arte digna do nome interfere com alguma coisa, portanto, toda a arte é intervenção.

    b) A obra do Zeca é multifacetada. Uma das coisas a reter ao longo de toda a produção musical dele é o modo como nunca se agarra a um "estilo." O Zeca mostra aquilo que o Charles Bukowski quis dizer quando afirmou "estilo houve quando o Hemingway deu um tiro nos miolos." - O estilo é a morte do artista. O Zeca nunca andou "à procura" de uma forma para reproduzir daí em diante. Se há algo que está ausente da música do Zeca é a carência, o platonismo, a procura da "metade perdida." A música do Zeca fala do excesso, do que está para lá da medida. A música do Zeca não é Platão, é Espinosa, não é Dantas, é materialista. Morra o Dantas morra, PIM.

    Ouçam o tema "Canarinho" do album "como se fora seu filho." Aquilo é música "popular"?

    Ouçam o "redondo vocábulo," as canções do album "Eu vou ser como a toupeira"... enfim, ouçam a obra. Até as canções que são mais claramente indexadas à necessidade política têm elementos insólitos, sempre algo de novo, inusitado.

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  6. Vinte e cinco de Abril, SEMPRE!

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  7. tea & outcakes, tenho de agradecer o teu comentário longo e lúcido sobre o zeca afonso. de facto quando se quer prezar algo, por vezes, tende-se a exagerar e a falar da boca para fora. no caso do zeca afonso isso pode levantar problemas porque se trata de um artista consciente, uma indivíduo que criou a patir de convicções profundas e não por meras ansiedades estéticas. infelizmente, acho que para todo o sempre determinadas traços do seu carácter - e por consequência da sua obra - vão confinar-se a poucos atentos. o comum dos ouvintes ficará pela rama das coisas. preocupado apenas com a versão que a mariza (arghhh) vier a fazer imitando mais uma vez, e muito mal, a amália.

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